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This story was created with Twine and is powered by TiddlyWiki. The Responsive Story Format is by Emmanuel King Turner. Twitter: @stormrose
<b> <h2>Era uma vez... uma introdução. A narradora se intromete na história </h2></b>\t\t\t\t\t\t\t\n\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<i> <small> Nunca temos o quadro completo da vivência de um amor. Mesmo com relação a nós próprios, <br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;nossa mente e nosso coração nos enganam. O que percebemos,ou pensamos observar, <br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;nem sempre é o que de fato nos move e envolve. E, definitivamente, não resgata a essência do outro, <br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;nem a sua visão particular dos acontecimentos.</small></i>\n\n\n<p>Era uma vez um jovem brilhante, atlético, elegante, desejável... Um príncipe encantado do sonho das adolescentes, que viviam à sua volta como pequenas mariposas buscando a luz.</p><p>Um conto de fadas? Uma história intensa de amor? Bem... Há amor envolvido. E, de certa forma, teve momentos bem intensos. Mas não como vocês poderiam esperar ou imaginar.</p><p>Acontece que o tal jovem era (como direi?) um “bloco de gelo”, “um peixe frio”. Escorregadio nas relações humanas como um peixe ensaboado. Frio na expressão dos sentimentos como se fosse uma versão biológica de um grande e poderoso computador inteligente.</p><p>Confesso a vocês que sempre me surpreendeu o seu olhar. Quer dizer, o que eu classifico de seu “não-olhar”... Porque nunca vi tanta inexpressão como a que ele conseguia manifestar. Eu arriscaria dizer que eram olhos de puro tédio, de (ao menos aparente) ausência de emoções. Claro que a minha perspectiva é feminina e ocidental.</p><p>Dirão vocês que assumo um ponto de vista equivocado, com certa distorção sociocultural. É possível... No entanto, gostaria de pensar que, mesmo em sua cultura, ele demonstrava um grau de exacerbação do desejável espírito de discrição. Vocês ajudarão a avaliar a situação a partir do que lerem aqui.</p>\n[[>> Continua| Capítulo 1.1]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n\n\n\n
<p>Sentimentos são um território complexo, na maioria das vezes inexplorado, cheio de surpresas, em grande parte, incontrolável. E nosso protagonista parecia mesmo não os ter (embora isso não seja de fato possível, não é?!). Enfim... aquele era um território que ele nunca havia explorado, nem visitado com verdadeiro interesse (ou fazia de conta que era algum espaço fora deste universo, inatingível e indesejável). E não parecia nem um pouco disposto ou interessado em fazê-lo!</p><p>Eu considero importante ressaltar, contudo, que o fato de não manifestar externamente os sentimentos para que outros os percebam, não é garantia de que não estejam ali, pulsando. Talvez o ponto resida não no fato de haver ausência de sentimentos, mas, simplesmente, de eles não serem manifestos. Nesse sentido, ter acesso à mente do jovem protagonista, espionar seus pensamentos, pode ser muito útil para entender o que de fato ele vivia, o que se passava em seu cérebro e seu coração.</p><p>A questão é que, mesmo quando estamos propensos a visitar essas terras do sentir, submergimos no desconhecido. Não raro, vivenciamos sensações inesperadas e inexplicáveis. Dor e prazer, confusão e clareza, dúvidas e certezas, melancolia e felicidade vão de mãos dadas e ajudam a construir o que somos.</p>\n[[>> Continua|Capítulo 1.2]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| 1. Era uma vez? A narradora se intromete na história]]\n\n
<b><h2>Despertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.</h2></b>\t\t\t\n\n<i> <small> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Muitas vezes a dor nos coloca dentro de um pesadelo. Mas também nos <br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;permite olhar em volta e para trás, entendendo nossa trajetória.</small></i>\n\n\n<p>Levantei a cabeça ao ouvir a batida na porta e sentir a luz que vinha do corredor. Ali, contra a luminosidade difusa, estavam em pé uma menina de nove anos e um garotinho de seis. Tinham as mãos dadas. Suas expressões se mostravam entre surpresas e assustadas. A voz baixa, quase um sopro, um gemido, que saiu da boca da menina – <i><div class= "tooltip"> "otōchan <span class= "tooltiptext"> papai </span></div></i>!" – me despertou para o fato de que eu tinha lágrimas correndo pelo rosto, o mesmo rosto que eu tinha há pouco escondido entre as mãos. Dei-me conta disso provavelmente com maior surpresa do que os dois.</p><p>Abri os braços, ensaiei um sorriso e fiz um gesto com as mãos para que se aproximassem, olhando meus filhos com carinho. Lançaram-se em minha direção, ainda com certo receio.</p>\n[[>> Continua|Capítulo 2.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Capítulo 1.3]]
<p>Imaginem, então, o caos que poderia instaurar-se numa mente, que sistematicamente evitou qualquer contato mais íntimo com sentimentos, ao ser posta em confronto não com um, mas como uma torrente incontrolável de sentimentos e paixões! Certamente, perplexidade seria o mínimo que se poderia achar, ali.</p><p>Outro aspecto que gostaria de pontuar é que nada ocorre por acaso. Não sejamos ingênuos: para se desenvolver o amor romântico é preciso que haja convivência. Nos livros e filmes, tal como na vida, é necessário que haja o encontro e que, depois deste, se instaure o contato minimamente frequente. Relações que não são regadas, cuidadas e vivenciadas com constância tendem a murchar, se desvanecer, se perder ou se tornar outra coisa. Defendo, pois, que deve acontecer um encontro e, depois, que a proximidade seja garantida por algum tipo de evento. Não acho que seja coisa de literatura, apenas um fato da vida mesmo.</p>\n[[>> Continua|Capítulo 1.3]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| Capítulo 1.1]]\n\n
<p>Convido-os, então, a compartilhar uma jornada. A do jovem “príncipe peixe frio” pelo estranho mundo das emoções que ele foi forçado a confrontar, a encarar de frente, saltando as barreiras que, confortavelmente havia levantado. Claro, como as percepções dos sentimentos são sempre fragmentadas, parciais e altamente subjetivas, essa viagem vai envolver várias vozes e fluxos de pensamento, saltando de um fato a outro, de um acontecimento a outro, de uma sensação a outra, de forma aparentemente aleatória. Às vezes vou me permitir uma intromissão. Muitas outras, deixarei ao próprio rapaz e a seus interlocutores o comando da jornada.</p>\n[[Ir para "Despertando de uma longa noite. | 2.\tDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.]]\n\n[[Voltar ao início do Capítulo| 1. Era uma vez? A narradora se intromete na história]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Capítulo 1.2]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Voltar ao Início|Start]]
Uma visita veio de longe. Excitação, novidades e uma provocação.\n\nRevelações inconvenientes. Olhares estrangeiros podem, também, perceber muito.\n\nDois trimestres tumultuados. Entre rechaços, aproximações e estudo.\n\nAcidentes acontecem... Oportunidades de ser herói e heroína.\n\nFinalmente, a coragem para se declarar. Desilusão e uma porta aberta.\n\nSeparados por uma pequena diferença de idade. Alívio ou conflito?\n\nUm momento difícil. O congelamento de um sonho.\n\nAbrem-se portas. Retomam-se sonhos. \n\nMudam-se caminhos. Reinventam-se relações.\n\nEstar para sempre ao seu lado. O fio que levou ao fim do labirinto.\n\nPais de novo. Nasce Kazumi.\n\nNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.\n\nNossas vidas são como desenhos em um caleidoscópio. A recuperação de Yukiko.\n\nEpílogo. Fecha-se o círculo.\n\n\nIntertextualidades em Caleidoscópio\n\n\n[[<<Retorna à página anterior do Sumário|Sumário]]\n\n[[<<Voltar ao Início|Start]]
<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>
\t\t<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>\n\t\t\t\t\t\t\t<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>\n\n\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<img src="imagens/capa-caleidoscopio.png" alt="Protagonistas diante de cenário da ponte <i>Rainbow</i> na baía de Tokyo e a imagem do caleidosópio.">\n\n\n<p>Esta história é minha pequena homenagem aos criadores japoneses de <i>manga</i> e <i>anime</i>, cuja arte atravessa fronteiras e delicia pessoas de todo o mundo.</p><p>Dedico, também, com carinho, o romance <i>Caleidoscópio</i> a duas amigas, Nícia e Chizu. Espero que eu tenha conseguido refletir respeitosamente um pouco de sua cultura e raízes, mesmo que com um saborzinho brasileiro.</p>\n\n[[Ir para "Era uma vez..." | 1. Era uma vez? A narradora se intromete na história]]\n\n[[Notas importantes|Nota importante]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
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<b><h2>Notas importantes</h2></b>\n<ul type="square">\n<li>Antes que você comece a leitura, gostaria de explicar que os nomes dos personagens do romance estão apresentados segundo a estrutura da língua japonesa. Ou seja: primeiro aparecem os sobrenomes, depois os nomes. Sendo assim, nossos protagonistas, por exemplo, são os jovens: Nakamura Akira e Hayashi Yukiko. Ele, Akira, é o filho mais velho da família Nakamura; ela, Yukiko, a filha mais velha da família Hayashi.<br>Esta opção foi feita para ajudar a criar o clima do drama, nos aproximando um pouquinho mais da cultura e da língua japonesas. O mesmo explica a presença de várias palavras, em especial formas de tratamento e saudações, em japonês ao longo do texto. A única ressalva, aqui, é que foi usado o nosso alfabeto para representar a estrutura fonética desses vocábulos, não os silabários ou ideogramas próprios desse idioma.</li><br>\n<li>A língua japonesa tem vogais que soam mais longas e isso faz diferença em palavras que se escrevam igual e cuja única distinção seja entre uma vogal normal e outra longa. Por exemplo, é o que observamos entre <i>“obaasan”</i> (avó) e <i>“obasan”</i> (tia). Quando transpomos os caracteres japoneses (os silabários <i>hiragana</i> ou <i>katakana</i>) para nosso alfabeto (<i>rōmaji</i>) há formas distintas de marcar essa diferença. Uma delas, talvez a mais simples, é repetir a vogal que se pronuncia de forma mais longa. Foi o que se viu no exemplo anterior, o de <i>“obaasan”</i>. <br>Acontece que, no caso das palavras com “o” longo, o caractere do silabário japonês que se acrescenta à sílaba com a vogal longa é o equivalente ao “u”. Por isso, é comum vermos outra forma de representação com "ou", por exemplo, como em <i>“arigatou”</i> (obrigado). O problema é que isso não deve ser pronunciado como um ditongo “ou”, mas apenas como “oo”.<br>Numa terceira e última forma de representação, até para evitar a tendência errada de pronunciar “o” longo como “ou”, podemos usar um sinal sobre o “o” chamado <i>macron</i> (um tracinho horizontal sobre a vogal e que indica alongamento de sua pronúncia). Esta foi a nossa opção para representar o “o” longo em nossa história. Por isso, quando virem uma palavra como <i>otōsan</i> (pai), leiam <i>“otoosan”</i>, certo?!</li>\n<li>As fotos, vídeos e imagens presentes nos <i>links</i> do romance <i>Caleidoscópio</i> fazem parte desta obra hipertextual e multissemiótica e são, em geral, de minha criação. As imagens de adolescentes, típicas de <i>anime</i>, usadas na composição do <i>folder</i> e da ilustração de abertura, foram adquiridas, com licença plena de uso, na Unity Asset Store e editadas por mim para compor as imagens finais. Agradeço a W. Leite pela elaboração e cessão do vídeo do caleidoscópio, no <i>link</i> do penúltimo capítulo.</li></ul>\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Ir para "Era uma vez..." | 1. Era uma vez? A narradora se intromete na história]]
<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>
<p>Minha mãe tinha razão! Ela tinha enxergado bem antes que nós. Antes que Yukiko e, certamente, bem antes que eu mesmo. Algo faltava em mim... algo que me tornaria mais humano, mais feliz. E Yukiko veio me ajudar a preencher este vazio. Parecia incrível que já se tenham passado uns dezoito anos desde a tarde em que eu recebi a chocante notícia de que “aquela garota espalhafatosa” iria morar na nossa propriedade e que eu teria que ver e me encontrar sempre com ela. Dezoito anos, que um acaso do destino havia aberto um caminho tortuoso e estranho em nossas vidas. E, pela primeira vez, aos 35 anos de idade, eu me dava, de fato, conta de que eu havia me tornado uma pessoa totalmente diferente! Ela, com o poder que lhe era peculiar, havia derretido o gelo, me havia ajudado a encontrar a rota para minha transformação.</p>\n[[Voltar ao início do Capítulo| 2.\tDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Capítulo 2.1]]\n\n[[Voltar para "Era uma vez..."| 1. Era uma vez? A narradora se intromete na história]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Voltar ao Início|Start]]
<p>Akemi, timidamente, perguntou, então, pela mãe: – <i><div class= "tooltip"> okaachan <span class= "tooltiptext"> mamãe </span></div></i> <i><div class= "tooltip"> wa <span class= "tooltiptext"> partícula indicativa do tema (preocupação com a mãe). </span></div></i>?</p><p>-Ela está melhor e vai ficar bem. Logo estará conosco em casa, Kemi-<i><div class= "tooltip">chan <span class= "tooltiptext"> sufixo de tratamento carinhoso e íntimo, em geral usado com e entre meninas </span></div></i> – respondi com um sorriso discreto.</p><p>Kazumi sorriu alegremente, segurou minha mão e quis me puxar para fora. É hora de comer, <i><div class= "tooltip"> tōchan <span class= "tooltiptext"> paizinho </span></div></i>! <i><div class= "tooltip"> Baachan <span class= "tooltiptext"> vovozinha </span></div></i> preparou um café gostoso e pediu que nós chamássemos você...</p><p>- Já vou, filho. Vão indo na minha frente, certo?! – disse isso dando um toque com os dedos indicador e médio juntos na sua testa.</p><p>Vi como saíam, agora mais confiantes e tranquilos. Akemi, <i><div class= "tooltip"> musume <span class= "tooltiptext"> minha filha </span></div></i> querida, em especial, pois já percebia melhor a situação. Fiquei por um momento ainda ali, sentado, na semiescuridão do escritório fechado e minha mente divagou...</p> \n[[>> Continua|Capítulo 2.2]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| 2.\tDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.]]
<b><h2>SUMÁRIO</h2></b>\n\n\n[[Início|Start]]\n\n"Palavras da autora"\n\n[[Era uma vez... uma introdução. A narradora se intromete na história.| 1. Era uma vez? A narradora se intromete na história]]\n\n[[Despertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.| 2.\tDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.]] \n\nCafé da manhã em família... E ausência.\n\nNasce Akira. A chave para uma mudança.\n\nLindo brilho da aurora. A pequena Kemi-<i>chan</i> vem ao mundo.\n\nMudança de vida é pouco! Yukiko introduz sua versão da história.\n\nDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo.\n\nQue garoto estranho!!!! Começa a nascer uma atração.\n\nPrimeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. Ela é uma garota irritante!\n\nDifícil ignorar o que se insinua constantemente. Alguns incidentes que despertaram a mente de Nakamura-<i>kun</i> para Yukiko.\n\nNova mudança. O que já anda ruim pode ficar pior?\n\nNão é possível!!! Quando o destino nos prega a maior das peças...\n\nUm trimestre de tensão. Volta das férias de verão e a caminho da mudança.\n\nMudança e enfrentamento. Começa a aproximação de Akira e Yukiko.\n\n“O prego que se sobressai é o primeiro ser martelado”. Desvelando um pouco do misterioso Akira.\n\nEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a se alterar.\n\n[[>> Continua|Sumário b]]\n