<p>...</p><p>Os exames vieram e passaram. Os resultados saíram. Nakamura-<i>senpai</i>, como de hábito, havia apresentado um desempenho impecável, brilhante, e estava a caminho de sua formatura. Quanto a mim, as aulas tinham surtido o efeito desejado. Recuperei-me plenamente e tinha adquirido uma boa base para cursar meu terceiro ano. Só precisaria manter a disciplina nos estudos.</p><p>No dia da formatura, minha família estava presente. Como amigos dos Nakamura, havíamos sido convidados. No momento em que Nakamura-<i>senpai</i> recebeu seu diploma, fui tomada por uma torrente de sentimentos conflitantes. Primeiro, me senti feliz por ele, orgulhosa por conhecer e gostar de alguém tão bem-sucedido. Ele teria todas as chances para escolher a carreira que desejasse, na universidade que preferisse. Por outro lado, no entanto, me doía constatar a dura realidade: eu já não esbarraria com ele nos corredores do colégio; ele já não me daria aulas, ocupado que estaria no curso superior. Nossa diferença de idade, que nem era tanta (menos de um ano), nos separava. De nada havia servido me declarar para ele. Eu tinha sido rejeitada e não teria outras chances!</p>\n[[>> Continua|Cap. 22.1.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| 22.\tSeparados pela diferença de idade. Alívio e conflito.]]
<p>Ele estava de gozação!!!! Só podia estar... Não! Estava me provocando, me enfrentado. Aquilo não era um cumprimento; era um desafio! Normalmente isso teria sido ignorado, pois ele não merecia meu interesse e esforço. Por que, então, fiquei tão indignado? Por que me senti compelido a responder à altura, a humilhá-lo? Não pude evitar. Quando dei por mim, já estava lançando sobre ele uma resposta igualmente sarcástica:</p><p>- É verdade... Somos bem diferentes, não?!? Digo, falando de um adulto a um adolescente, terei um grande prazer em deixá-los por aqui. Espero que consigam sair um dia... Já que não terão mais ajuda...</p><p>Disse isso e me voltei para outros colegas que tinham acabado de chegar. Falei com eles, me despedi e convidei meus pais a nos retirarmos.</p><p>No caminho para casa, repassei o que aconteceu e o que eu disse. Dei-me conta de que a resposta não tinha sido só para ele. Queria atacá-lo, verdade! Mas também queria ferir Yukiko... Por quê?!? No fundo, começava a suspeitar, mesmo sem querer admitir, que lamentava sair do mesmo colégio em que ela estava...</p>\n\n[[Voltar ao início do Capítulo| 22.\tSeparados pela diferença de idade. Alívio e conflito.]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 22.2]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Voltar ao Início|Start]]
<p>No momento dos cumprimentos, Yamamoto-<i>kun</i> se aproximou de nós e se dirigiu a Nakamura-<i>senpai</i>, numa clara provocação que me deixou surpresa, pois não era seu feitio. Disse:</p><p>- Parabéns, Nakamura-<i>senpai</i>! Sucesso em sua vida de adulto universitário. Nós ficaremos por aqui, Yukiko-<i>chan</i> e eu, juntos e felizes, em nossa existência de estudantes de segundo grau!</p><p> - Ah! Yamamoto-<i>san</i>. É verdade... Somos bem diferentes, não?!? Digo, falando de um adulto a um adolescente, terei um grande prazer em deixá-los por aqui. Espero que consigam sair um dia... Já que não terão mais ajuda...</p><p>O sarcasmo era evidente, cortante como sempre, mas sem alteração no tom de voz ou na expressão facial. Ainda assim, havia algo, um lampejo nos olhos. Ele não me parecia tão feliz com a perspectiva.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 22.2]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 22.1]]
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Uma visita veio de longe. Excitação, novidades e uma provocação.\n\nRevelações inconvenientes. Olhares estrangeiros podem, também, perceber muito.\n\nDois trimestres tumultuados. Entre rechaços, aproximações e estudo.\n\nAcidentes acontecem... Oportunidades de ser herói e heroína.\n\n\nFinalmente, a coragem para se declarar. Desilusão e uma porta aberta.\n\n[[Separados por uma pequena diferença de idade. Alívio ou conflito?| 22.\tSeparados pela diferença de idade. Alívio e conflito.]]\n\nUm momento difícil. O congelamento de um sonho.\n\nAbrem-se portas. Retomam-se sonhos.\n\nMudam-se caminhos. Reinventam-se relações.\n\nEstar para sempre ao seu lado. O fio que levou ao fim do labirinto.\n\nPais de novo. Nasce Kazumi.\n\nNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.\n\nNossas vidas são como desenhos em um caleidoscópio. A recuperação de Yukiko.\n\nEpílogo. Fecha-se o círculo.\n\n\nIntertextualidades em Caleidoscópio\n\n\n[[<<Retorna à página anterior do Sumário|Sumário]]\n\n[[<<Voltar ao Início|Start]]
<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>
\t\t<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>\n\t\t\t\t\t\t\t<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>\n\n\n <img src="imagens/capa-caleidoscopio.png" alt="Protagonistas diante de cenário da ponte <i>Rainbow</i> na baía de Tokyo e a imagem do caleidosópio.">\n\n\n<p>Esta história é minha pequena homenagem aos criadores japoneses de <i>manga</i> e <i>anime</i>, cuja arte atravessa fronteiras e delicia pessoas de todo o mundo.</p><p>Dedico, também, com carinho, o romance <i>Caleidoscópio</i> a duas amigas, Nícia e Chizu. Espero que eu tenha conseguido refletir respeitosamente um pouco de sua cultura e raízes, mesmo que com um saborzinho brasileiro.</p>\n\n[[Ir para "Separados por uma pequena diferença de idade..." | 22.\tSeparados pela diferença de idade. Alívio e conflito.]]\n\n[[Notas importantes|Nota importante]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
<b><h2>Separados por uma pequena diferença de idade. Alívio ou conflito?</h2></b>\n\n\n<i><small> “O que os olhos não veem, o coração não sente.” Será mesmo?</small></i>\n\n\n<p>As aulas continuaram conforme haviam sido acordadas desde o princípio. Duas horas diárias, após as atividades do colégio, até o período das provas finais. Eu sentia uma alegria contida pelo simples fato de estar perto dele, de ouvir a sua voz, de vê-lo. Contava os minutos para estar com ele e me entristecia quando nossos encontros de estudo acabavam. Olhava perdida para o que ele escrevia, as lições e exercícios, como se fossem cartas de amor. Tudo tão clichê!!!! Tinha a atitude de uma boba completa!... E me inquietava com isso, pois não parecia eu mesma.</p><p>A situação, porém, era tremendamente estranha e desconfortável. Mesmo sem dizer explicitamente nada a respeito, minhas atitudes, meus olhares, meus devaneios deixavam patente que eu estava apaixonada. Nakamura-<i>senpai</i>, por sua vez, mal me encarava. Explicava secamente tudo o que cabia, aplicava exercícios, os corrigia, mas não conversava. Parecia estar fugindo do meu olhar.</p><p>Eu, apesar de tudo, sentia que algo havia mudado. Ele não parecia tão inexpressivo. Era como se algum conflito crescesse em seu interior. Seria por minha causa? Quero dizer, seria porque também sentia algo por mim?... Não! De que adiantava nutrir esperanças? Nada aconteceria entre nós! O mais provável é que fosse repulsa por ser obrigado a continuar com as aulas, simplesmente, por uma questão de honra.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 22.1]]\n
<b><h2>Notas importantes</h2></b>\n<ul type="square">\n<li>Antes que você comece a leitura, gostaria de explicar que os nomes dos personagens do romance estão apresentados segundo a estrutura da língua japonesa. Ou seja: primeiro aparecem os sobrenomes, depois os nomes. Sendo assim, nossos protagonistas, por exemplo, são os jovens: Nakamura Akira e Hayashi Yukiko. Ele, Akira, é o filho mais velho da família Nakamura; ela, Yukiko, a filha mais velha da família Hayashi.<br>Esta opção foi feita para ajudar a criar o clima do drama, nos aproximando um pouquinho mais da cultura e da língua japonesas. O mesmo explica a presença de várias palavras, em especial formas de tratamento e saudações, em japonês ao longo do texto. A única ressalva, aqui, é que foi usado o nosso alfabeto para representar a estrutura fonética desses vocábulos, não os silabários ou ideogramas próprios desse idioma.</li><br>\n<li>A língua japonesa tem vogais que soam mais longas e isso faz diferença em palavras que se escrevam igual e cuja única distinção seja entre uma vogal normal e outra longa. Por exemplo, é o que observamos entre <i>“obaasan”</i> (avó) e <i>“obasan”</i> (tia). Quando transpomos os caracteres japoneses (os silabários <i>hiragana</i> ou <i>katakana</i>) para nosso alfabeto (<i>rōmaji</i>) há formas distintas de marcar essa diferença. Uma delas, talvez a mais simples, é repetir a vogal que se pronuncia de forma mais longa. Foi o que se viu no exemplo anterior, o de <i>“obaasan”</i>. <br>Acontece que, no caso das palavras com “o” longo, o caractere do silabário japonês que se acrescenta à sílaba com a vogal longa é o equivalente ao “u”. Por isso, é comum vermos outra forma de representação com "ou", por exemplo, como em <i>“arigatou”</i> (obrigado). O problema é que isso não deve ser pronunciado como um ditongo “ou”, mas apenas como “oo”.<br>Numa terceira e última forma de representação, até para evitar a tendência errada de pronunciar “o” longo como “ou”, podemos usar um sinal sobre o “o” chamado <i>macron</i> (um tracinho horizontal sobre a vogal e que indica alongamento de sua pronúncia). Esta foi a nossa opção para representar o “o” longo em nossa história. Por isso, quando virem uma palavra como <i>otōsan</i> (pai), leiam <i>“otoosan”</i>, certo?!</li>\n<li>As fotos, vídeos e imagens presentes nos <i>links</i> do romance <i>Caleidoscópio</i> fazem parte desta obra hipertextual e multissemiótica e são, em geral, de minha criação. As imagens de adolescentes, típicas de <i>anime</i>, usadas na composição do <i>folder</i> e da ilustração de abertura, foram adquiridas, com licença plena de uso, na Unity Asset Store e editadas por mim para compor as imagens finais. Agradeço a W. Leite pela elaboração e cessão do vídeo do caleidoscópio, no <i>link</i> do penúltimo capítulo.</li></ul>\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Ir para "Separados por uma pequena diferença de idade..." | 22.\tSeparados pela diferença de idade. Alívio e conflito.]]
<p>...</p><p>Bem, acabou! Meus resultados foram excelentes. Consegui, inclusive, médias altíssimas nas seleções da Universidade de Tokyo. Minha carreira como médico está garantida. Agora, vamos à parte difícil... socializar com os colegas, a família e... com ela.</p><p>- Parabéns, Nakamura-<i>senpai</i>! – ouvi Yukiko me cumprimentar.</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Arigatō gozaimasu <span class= "tooltiptext"> Obrigado </span></div></i> – respondi. Não consegui dizer outra coisa, nem abandonar uma postura relativamente formal. Sentia um estranho nó na garganta.</p><p>À minha volta, meu irmão, meus pais, os Hayashi e vários colegas de turma passavam e me davam congratulações. Era tudo muito cansativo e eu me sentia num tipo de limbo, desejando que aquilo terminasse e eu pudesse regressar à tranquilidade de casa.</p><p>De repente, fui surpreendido por Yamamoto-<i>san</i>. Ele se aproximou, deu o braço para Yukiko, abriu um sorriso debochado e soltou um cumprimento bastante provocativo:</p><p> - “Parabéns, Nakamura-<i>senpai</i>! Sucesso em sua vida de adulto universitário. Nós ficaremos por aqui, Yukiko-<i>chan</i> e eu, juntos e felizes, em nossa existência de estudantes de segundo grau!”</p>\n[[>> Continua|Cap. 22.2.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 22.1.1]]
<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>
<b><h2>SUMÁRIO</h2></b>\n\n\n[[Início|Start]]\n\n"Palavras da autora"\n\nEra uma vez... uma introdução. A narradora se intromete na história.\n\nDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.\n\nCafé da manhã em família... E ausência.\n\nNasce Akira. A chave para uma mudança.\n\nLindo brilho da aurora. A pequena Kemi-<i>chan</i> vem ao mundo.\n\nMudança de vida é pouco! Yukiko introduz sua versão da história.\n\nDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo.\n\nQue garoto estranho!!!! Começa a nascer uma atração.\n\nPrimeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. Ela é uma garota irritante!\n\nDifícil ignorar o que se insinua constantemente. Alguns incidentes que despertaram a mente de Nakamura-<i>kun</i> para Yukiko.\n\nNova mudança. O que já anda ruim pode ficar pior?\n\nNão é possível!!! Quando o destino nos prega a maior das peças...\n\nUm trimestre de tensão. Volta das férias de verão e a caminho da mudança.\n\nMudança e enfrentamento. Começa a aproximação de Akira e Yukiko.\n\n“O prego que se sobressai é o primeiro ser martelado”. Desvelando um pouco do misterioso Akira.\n\nEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a se alterar.\n\n[[>> Continua|Sumário b]]