<p>- <i>Otōsan</i>, não era sobre isso que queria conversar, <i>ne</i>?! Não foi para isso que me chamou aqui...</p><p>- De fato, filho. Lembra-se que tivemos há mais de um ano uma conversa sobre os problemas ocasionados em nossa empresa a partir do grande <i>tsunami</i>? De como a situação tinha se tornado difícil, inclusive a ponto de optarmos por alugar a casa onde viveram seus avós?</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Hai <span class= "tooltiptext"> sim </span></div></i>! Lembro muito bem! (A verdade é que não havia um só dia em que não me lembrasse e não sentisse algo por conta das consequências daquela decisão. Hayashi Yukiko... sua presença no terreno contíguo me cutucava constantemente.)</p><p>- A ideia do aluguel acabou se revelando muito positiva. Os Hayashi são ótimas pessoas, sua mãe está muito feliz por reencontrar e poder conviver com uma amiga tão querida, Hikaru ganhou um companheiro que, seguramente, marcará sua juventude. A ajuda financeira também foi providencial, mas insuficiente, claro.</p><p>- O que quer dizer com isso, <i>otōsan</i>? – perguntei apreensivo.</p>\n[[>> Continua|Cap. 23.2]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 23.1]]
<p>Para minha surpresa, ele foi até simpático. Trocou comigo umas poucas palavras. Parecia melancólico, distante, pensativo. Descobri que algo estava errado, que ele interromperia seu curso de medicina. Pelo visto, precisava ajudar seu pai em algo relacionado à empresa. Deveria ser muito sério, para que Nakamura-<i><div class= "tooltip">sama <span class= "tooltiptext"> sufixo de tratamento muito formal e respeitoso, usado para um superior </span></div></i> pedisse esse sacrifício ao filho...</p><p>Mas ele era ainda tão jovem! Mesmo sendo muito inteligente e capaz, era muito novo; nós éramos! Que terrível peso esse: postergar seu sonho, assumir o mundo adulto do trabalho tão cedo e precipitadamente, saber que sua atuação seria uma parte importante no processo de recuperação do negócio de família!...</p><p>Ele se despediu de mim e saiu com passos lentos e pesados. Fiquei ali parada. Voltei a me preocupar com ele, sentir por ele... [[Minha saudade ficaria ainda maior| Maiara, estamos separados]], com certeza, pois, ao estar fora, eu nem teria a sorte de desfrutar de ocasionais encontros. Esperava que isso passasse rápido, para o meu bem... ou o de ambos (???)...</p>\n\n[[Voltar ao início do Capítulo| 23.\tUm momento difícil. O congelamento de um sonho.]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 23.5]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Voltar ao Início|Start]]
<p>- <i><div class= "tooltip"> Konban wa <span class= "tooltiptext"> boa noite </span></div></i>, Nakamura-<i>senpai</i>!</p><p>Olhei e vi o rosto de Yukiko, brilhando também como as pedras claras do jardim de areia. Tinha uma luminosidade estranha, algo irreal...</p><p>- Hayashi-<i>san</i>! – respondi erguendo um pouco a cabeça para olhá-la.</p><p>- Desculpe incomodá-lo. Não sabia que estaria aqui. A noite me pareceu tão bonita, decidi sair um pouco...</p><p>- Ãh... <i><div class= "tooltip"> Iie <span class= "tooltiptext"> Não </span></div></i>!... Não estou incomodado. Eu já estava entrando de qualquer maneira. Tenho que acordar muito cedo amanhã.</p><p>- Claro! O curso de medicina deve exigir bastante!</p><p>- Não é isso... Vou à empresa de meu pai. Ele... ele precisa de mim.</p><p>- Ãh?!?</p><p>- Vou viajar por uns tempos... - soltei isso casualmente, como se nem me importasse. Era, no entanto, como um desabafo. Eu precisava tirar aquilo do meu peito, precisava contar para alguém... alguém que eu sabia que se importava.</p>\n[[>> Continua|Cap. 23.4.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 23.3]]
<p>Voltei para casa, no final da tarde, pensando sobre o que tinha visto, sobre a reunião de recepção dos calouros, as instalações da universidade e o mar de possibilidades que se abria diante de mim. Ao entrar no <i>hall</i>, contudo, senti um clima pesado. Meu pai me esperava e desejava conversar comigo no escritório.</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Konnichi wa <span class= "tooltiptext"> boa tarde </span></div></i>, <i><div class= "tooltip"> otōsan <span class= "tooltiptext"> pai </span></div></i>!</p><p>- Akira, precisamos conversar sobre algo… - começou ele com um tom sério e pausado.</p><p>- Sim?!</p><p>- Como foi seu primeiro dia na universidade?</p><p>- Correu tudo muito bem. As instalações, as disciplinas, os professores, tudo é excelente. Vejo grandes possibilidades para mim e minha futura carreira.</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Sō desu <span class= "tooltiptext"> locução que significa: "é isso", uma confirmação, algo como "de fato" </span></div></i>, <i>ne</i>?! A universidade de Tokyo é a melhor. Sem dúvida, lhe abrirá muitas portas.</p>\n[[>> Continua|Cap. 23.1.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 23.0]] \n\n\n\n
/* Tooltip container */\n.tooltip {\n position: relative;\n display: inline-block;\n border-bottom: 2px dotted blue; /* If you want dots under the hoverable text */\n}\n\n/* Tooltip text */\n.tooltip .tooltiptext {\n visibility: hidden;\n width: 120px;\n background-color: #555;\n color: #fff;\n text-align: center;\n padding: 5px 0;\n border-radius: 6px;\n\n /* Position the tooltip text */\n position: absolute;\n z-index: 1;\n bottom: 125%;\n left: 50%;\n margin-left: -60px;\n\n /* Fade in tooltip */\n opacity: 0;\n transition: opacity 0.3s;\n}\n\n/* Tooltip arrow */\n.tooltip .tooltiptext::after {\n content: "";\n position: absolute;\n top: 100%;\n left: 50%;\n margin-left: -5px;\n border-width: 5px;\n border-style: solid;\n border-color: #555 transparent transparent transparent;\n}\n\n/* Show the tooltip text when you mouse over the tooltip container */\n.tooltip:hover .tooltiptext {\n visibility: visible;\n opacity: 1;\n}\n
<p>- Entendo... E, pelo que percebo, precisarei viajar e estar fora da capital na maior parte do tempo. Isso significa que devo trancar meu curso de medicina.</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Gomen nasai <span class= "tooltiptext"> desculpe </span></div></i>, Akira! Sinto muitíssimo! Sei como sua carreira é importante para você. Não lhe pediria isso se não fosse imprescindível.</p><p>- Compreendo perfeitamente, <i>otōsan</i>. E não é como se fosse para sempre. Sou novo e posso atrasar meus planos por um ano. A experiência será positiva. Aprenderei muito e poderei, quem sabe, levar algo para minha vivência futura como médico.</p><p>- Certo, então! Amanhã lhe passarei os detalhes no escritório central. Peço que, depois, vá à universidade solicitar o trancamento de matrícula, <i><div class= "tooltip"> o-negai shimasu <span class= "tooltiptext"> faça o favor </span></div></i>. <i><div class= "tooltip"> Dōmo arigatō gozaimasu <span class= "tooltiptext"> Obrigado (bastante formal) </span></div></i> – me agradeceu, de maneira formal, meu pai, se curvando. Eu podia perceber que ele estava profundamente entristecido por me solicitar tanto.</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 23.3]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 23.2]]
Uma visita veio de longe. Excitação, novidades e uma provocação.\n\nRevelações inconvenientes. Olhares estrangeiros podem, também, perceber muito.\n\nDois trimestres tumultuados. Entre rechaços, aproximações e estudo.\n\nAcidentes acontecem... Oportunidades de ser herói e heroína.\n\n\nFinalmente, a coragem para se declarar. Desilusão e uma porta aberta.\n\nSeparados por uma pequena diferença de idade. Alívio ou conflito?\n\n[[Um momento difícil. O congelamento de um sonho.| 23.\tUm momento difícil. O congelamento de um sonho.]]\n\nAbrem-se portas. Retomam-se sonhos. \n\nMudam-se caminhos. Reinventam-se relações.\n\nEstar para sempre ao seu lado. O fio que levou ao fim do labirinto.\n\nPais de novo. Nasce Kazumi.\n\nNão se combatem as forças da natureza. Uma vida de amor ameaçada.\n\nNossas vidas são como desenhos em um caleidoscópio. A recuperação de Yukiko.\n\nEpílogo. Fecha-se o círculo.\n\n\nIntertextualidades em Caleidoscópio\n\n\n[[<<Retorna à página anterior do Sumário|Sumário]]\n\n[[<<Voltar ao Início|Start]]
<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>
</p><p>Em ambas as carreiras eu teria muitos desafios, precisaria estudar com afinco e constantemente, seria respeitado e teria a oportunidade de contribuir para o bem da sociedade e das pessoas.O magistério, contudo, demandaria um contato muito próximo com os alunos e seus pais, um envolvimento emocional profundo. Não acreditava que eu jamais estaria preparado para enfrentar esse desafio, essa particularidade da profissão. A medicina, por outro lado, embora também demandasse contato pessoal, se caracterizava, para mim, como mais técnica e, em último caso, eu poderia me dedicar à pesquisa, me mantendo mais em laboratórios.</p><p>Foi a partir dessa percepção sobre mim mesmo e sobre as potencialidades das duas áreas que acabei decidindo-me pela medicina. Comecei, portanto, a ler o máximo que pude sobre o tema, em todas as ocasiões que tinha disponíveis. Não comentei nada, porém, em casa, até meu terceiro ano do segundo grau. Não desejava criar expectativas, principalmente considerando que era bastante provável que eu acabasse como assistente de meu pai na empresa farmacêutica da família. Mas, no final, consegui levar adiante meu projeto e agora podia desenvolvê-lo conforme o idealizado durante tanto tempo.</p>\n[[>> Continua|Cap. 23.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior| 23.\tUm momento difícil. O congelamento de um sonho.]]
\t\t<b><h2>Caleidoscópio: fragmentos coloridos de vida</h2></b>\n\t\t\t\t\t\t\t<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>\n\n\n <img src="imagens/capa-caleidoscopio.png" alt="Protagonistas diante de cenário da ponte <i>Rainbow</i> na baía de Tokyo e a imagem do caleidosópio.">\n\n\n<p>Esta história é minha pequena homenagem aos criadores japoneses de <i>manga</i> e <i>anime</i>, cuja arte atravessa fronteiras e delicia pessoas de todo o mundo.</p><p>Dedico, também, com carinho, o romance <i>Caleidoscópio</i> a duas amigas, Nícia e Chizu. Espero que eu tenha conseguido refletir respeitosamente um pouco de sua cultura e raízes, mesmo que com um saborzinho brasileiro.</p>\n\n[[Ir para "Um momento difícil..."| 23.\tUm momento difícil. O congelamento de um sonho.]]\n\n[[Notas importantes|Nota importante]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]
<p>- Nossos depósitos e escritório ficam em Tokyo. Tínhamos uma boa reserva e, durante vários meses, conseguimos atender as demandas adequadamente. A reparação das instalações industriais na região afetada, contudo, está tardando mais do que o previsto. Tivemos que recorrer ao aluguel de espaços em laboratórios pequenos para dar continuidade ao nosso trabalho. Isso sai caro e não é muito eficaz. O resultado é que precisei fazer cortes de pessoal. Lamentei muito, pois sei o impacto que isso representa nas suas vidas e famílias.</p><p>- Não sabia que a situação estava tão grave!</p><p>- Nossas obras de recuperação estão em marcha. Mais alguns meses e poderemos voltar a operar em nossas próprias instalações novamente. Mas a questão é que terei que pedir um sacrifício a você também. Com o corte de pessoal, preciso de um assistente de confiança para agir como elemento de ligação e dar continuidade às minhas orientações, enquanto eu atuo aqui em Tokyo. Precisarei de sua ajuda, <i><div class= "tooltip"> yoroshiku o-negai shimasu <span class= "tooltiptext"> Expressão usada após se pedir um favor ao interlocutor, algo como “lhe peço isso, por favor”, mas como um rogo, bem formal e humilde. </span></div></i>.</p>\n[[>> Continua|Cap. 23.2.1]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 23.1.1]]\n
<p>...</p><p>Saí do escritório de cabeça baixa, pensando em como tinha sido breve minha sensação gratificante por conquistar o início da trajetória de um sonho. No entanto, a necessidade era real e a família vem em primeiro lugar, como bem havia pontuado meu avô fazia muito tempo... Ainda assim... quanto sacrifício e renúncia seriam necessários para cumprir o dever? Até que ponto uma pessoa deveria ir em nome dessa responsabilidade, desse pacto de honra?... Seja como for, esta situação atual era temporária. Seria só uma questão de tempo para retomar os rumos previamente traçados...</p><p>Pensei em subir para o quarto, a fim de separar a papelada que necessitaria na universidade no dia seguinte, mas decidi sair para respirar um pouco. A noite estava agradável: uma fresca e arejada noite de primavera, estrelada, com lua. Sentei-me num banquinho de pedra e fiquei olhando o jardim de areia, me fixando em suas ondas, na sensação de constante movimento que transmitiam, e nas pedras brancas que circundavam. Elas brilhavam um pouco sob a luminosidade da lua.</p><p>Comecei a fazer um balanço sobre a minha vida. Tinha colegas, mas não, amigos. Colecionei troféus de competições desportivas e prêmios acadêmicos. Fui aprovado e aceito na mais prestigiosa universidade do Japão, para realizar um curso que demandava muito e não estava acessível para qualquer um. Tinha pais amorosos, um irmão que me admirava... No entanto, me sentia vazio. Não conseguia lidar com meus sentimentos. Tinha pouco mais de 18 anos e estava prestes a encarar a dura realidade da vida adulta, o peso da responsabilidade pela família. E estava só.</p>\n[[>> Continua|Cap. 23.4]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 23.2.1]] \n\n
<b><h2>Notas importantes</h2></b>\n<ul type="square">\n<li>Antes que você comece a leitura, gostaria de explicar que os nomes dos personagens do romance estão apresentados segundo a estrutura da língua japonesa. Ou seja: primeiro aparecem os sobrenomes, depois os nomes. Sendo assim, nossos protagonistas, por exemplo, são os jovens: Nakamura Akira e Hayashi Yukiko. Ele, Akira, é o filho mais velho da família Nakamura; ela, Yukiko, a filha mais velha da família Hayashi.<br>Esta opção foi feita para ajudar a criar o clima do drama, nos aproximando um pouquinho mais da cultura e da língua japonesas. O mesmo explica a presença de várias palavras, em especial formas de tratamento e saudações, em japonês ao longo do texto. A única ressalva, aqui, é que foi usado o nosso alfabeto para representar a estrutura fonética desses vocábulos, não os silabários ou ideogramas próprios desse idioma.</li><br>\n<li>A língua japonesa tem vogais que soam mais longas e isso faz diferença em palavras que se escrevam igual e cuja única distinção seja entre uma vogal normal e outra longa. Por exemplo, é o que observamos entre <i>“obaasan”</i> (avó) e <i>“obasan”</i> (tia). Quando transpomos os caracteres japoneses (os silabários <i>hiragana</i> ou <i>katakana</i>) para nosso alfabeto (<i>rōmaji</i>) há formas distintas de marcar essa diferença. Uma delas, talvez a mais simples, é repetir a vogal que se pronuncia de forma mais longa. Foi o que se viu no exemplo anterior, o de <i>“obaasan”</i>. <br>Acontece que, no caso das palavras com “o” longo, o caractere do silabário japonês que se acrescenta à sílaba com a vogal longa é o equivalente ao “u”. Por isso, é comum vermos outra forma de representação com "ou", por exemplo, como em <i>“arigatou”</i> (obrigado). O problema é que isso não deve ser pronunciado como um ditongo “ou”, mas apenas como “oo”.<br>Numa terceira e última forma de representação, até para evitar a tendência errada de pronunciar “o” longo como “ou”, podemos usar um sinal sobre o “o” chamado <i>macron</i> (um tracinho horizontal sobre a vogal e que indica alongamento de sua pronúncia). Esta foi a nossa opção para representar o “o” longo em nossa história. Por isso, quando virem uma palavra como <i>otōsan</i> (pai), leiam <i>“otoosan”</i>, certo?!</li>\n<li>As fotos, vídeos e imagens presentes nos <i>links</i> do romance <i>Caleidoscópio</i> fazem parte desta obra hipertextual e multissemiótica e são, em geral, de minha criação. As imagens de adolescentes, típicas de <i>anime</i>, usadas na composição do <i>folder</i> e da ilustração de abertura, foram adquiridas, com licença plena de uso, na Unity Asset Store e editadas por mim para compor as imagens finais. Agradeço a W. Leite pela elaboração e cessão do vídeo do caleidoscópio, no <i>link</i> do penúltimo capítulo.</li></ul>\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n\n[[Ir para "Um momento difícil..."| 23.\tUm momento difícil. O congelamento de um sonho.]]
<p>...</p><p>A noite estava tão agradável, tão fresca e perfumada, com uma luz difusa e azulada, que me convidava a sair. As aulas do meu terceiro ano tinham começado hoje. Estava numa turma com os mesmos colegas. O ambiente era o mesmo, o clima amigável, os professores interessantes... mas nada nunca seria igual, pois Nakamura-<i>senpai</i> estava agora na universidade, trilhando seu caminho para a vida adulta.</p><p>Saí saboreando aquele momento de paz, sem pensar em nada. De repente, vi uma figura sentada junto ao jardim de areia. Meu coração disparou. Era ele! Não o via desde a festa de formatura. Nem parecia que morávamos tão próximos.</p><p>Decidi me aproximar. Estava temerosa com sua reação. Nosso último encontro não havia sido amistoso. Suas palavras para Yamamoto-<i>kun</i> e para mim não tinham sido nem um pouco agradáveis. Cumprimentei-o:</p><p>- <i><div class= "tooltip"> Konban wa <span class= "tooltiptext"> Boa noite </span></div></i>, Nakamura-<i>senpai</i>!</p>\n[[>> Continua|Cap. 23.6]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 23.4.1]]\n
<b><h2>Um momento difícil. O congelamento de um sonho.</h2></b>\n\n\n<i><small> “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe.”</small></i>\n\n\n<p>Abril chegou e, com ele, o início de um novo ano letivo. Minha matrícula na universidade de Tokyo, no curso de medicina, tinha sido aceita. Apresentei-me ali cedo, para a cerimônia de recepção, a fim de tomar conhecimento das disciplinas, dos horários, enfim, de tudo o que seria minha nova rotina pelos próximos anos. Estava satisfeito, dentro do que eu costumava manifestar a respeito de qualquer coisa ou fato em minha vida. Eu sentia que faria parte de algo que me motivava, que correspondia a um real desafio e daria sentido ao meu estar no mundo.</p><p>Era curioso... Durante o segundo grau, gastei muitas horas refletindo sobre o que faria da minha vida. Havia um embate entre o que parecia ser a escolha natural – seguir os passos do meu pai –, o que esperavam de mim, e o que eu podia desejar para o resto de minha existência. Normalmente, não manifestava nenhum interesse específico, ao menos não até já avançado o primeiro ano desse nível de estudos. Mas, no final daquele ano, comecei a prestar mais atenção às diferentes carreiras, às possibilidades que abriam, ao que representavam socialmente e para mim mesmo.</p><p>Meu desempenho acadêmico até então me dava acesso a, virtualmente, tudo o que eu quisesse ou pudesse imaginar. Mas muito poucas opções de fato me atraíam. Foi quando me fixei em duas possibilidades: o magistério e a área de saúde, mas precisamente, a medicina.</p>\n[[>> Continua|Cap. 23.0]]
<i><font size=+1>Cristina Vergnano</font></i>
<img src="imagens/celular-flip-da-Yukiko.jpg" alt="Imagem do celular de Yukiko coma mensagem de Maiara">\n\n. Yukiko-<i>chan</i>! Tudo bem com você? Faz tempo que não nos falamos... (‘_’)\n\n. Ah, Maiara-<i>chan</i>... Quis escrever; quis mesmo!... Mas... estou tão triste e deprimida! (!_!)\n\n. O que houve????\n\n. Nakamura-<i>senpai</i>... Ele teve que interromper a faculdade de medicina e viajar para ajudar o pai a resolver os problemas da empresa! \n Sinto tanta falta dele!!!! (; _ ;)\n Logo quando eu pensava que poderíamos ter estabelecido algum tipo de conexão...\n\n. (o_o)\n Que forte!!!! Imagino como ele deve estar se sentindo... Abandonar um sonho assim... Assumir tanta responsabilidade...\n\n. Espero que isso seja temporário. Pude sentir seu pesar quando me contou a novidade.\n\n. Ele procurou você para lhe contar isso? (*o*)\n\n. Não exatamente... Ele estava no jardim na noite anterior à sua viagem. Eu cheguei perto e conversamos. De repente, ele estava se abrindo para mim.\n\n. Uhnnn... Talvez, Yukiko, nem tudo esteja concluído entre vocês.\n\n[[<< Retoma a leitura do capítulo|Cap. 23.6]]\n\n[[Ir para o Sumário|Sumário]]\n
<p>- <i><div class= "tooltip"> Hontō <span class= "tooltiptext"> De verdade?! </span></div></i>?!? Mas e a universidade?</p><p>- Planos podem ser mudados, ou congelados. Agora sou necessário em outro lugar, fazendo outras coisas. <i><div class= "tooltip"> O-yasumi nasai <span class= "tooltiptext"> Boa noite (para ir dormir) </span></div></i>! – disse isso e me levantei.</p><p>Tinha posto para fora... mas nem tudo. Planos podiam ser congelados. E os sonhos?!?</p><p>Saí do jardim e fui para casa, para enfrentar o começo de uma nova etapa de vida. Não olhei para trás, mas sabia que ela continuava ali, parada, me acompanhando com os olhos. Em que estaria pensando? Estaria sentida por mim? Ainda se importaria, se preocuparia comigo? Desejei poder estar ainda no colégio, estar com ela lhe dando aulas extras, a ouvir dizer que gostava de mim...</p><p>...</p>\n[[>> Continua|Cap. 23.5]]\n\n[[<< Retorna à página anterior|Cap. 23.4]]
<b><h2>SUMÁRIO</h2></b>\n\n\n[[Início|Start]]\n\n"Palavras da autora"\n\nEra uma vez... uma introdução. A narradora se intromete na história.\n\nDespertando de uma longa noite. Aqui começa (?) a história.\n\nCafé da manhã em família... E ausência.\n\nNasce Akira. A chave para uma mudança.\n\nLindo brilho da aurora. A pequena Kemi-<i>chan</i> vem ao mundo.\n\nMudança de vida é pouco! Yukiko introduz sua versão da história.\n\nDesafios e enfrentamentos. Início da odisseia escolar em Tokyo.\n\nQue garoto estranho!!!! Começa a nascer uma atração.\n\nPrimeiras impressões de Nakamura-<i>kun</i>. Ela é uma garota irritante!\n\nDifícil ignorar o que se insinua constantemente. Alguns incidentes que despertaram a mente de Nakamura-<i>kun</i> para Yukiko.\n\nNova mudança. O que já anda ruim pode ficar pior?\n\nNão é possível!!! Quando o destino nos prega a maior das peças...\n\nUm trimestre de tensão. Volta das férias de verão e a caminho da mudança.\n\nMudança e enfrentamento. Começa a aproximação de Akira e Yukiko.\n\n“O prego que se sobressai é o primeiro ser martelado”. Desvelando um pouco do misterioso Akira.\n\nEfeitos da mudança. Algo realmente está começando a se alterar.\n\n[[>> Continua|Sumário b]]