Ano e meio de pandemia

Por: Cristina Vergnano

Despertei no meio de um sonho ruim. Primeiro, pensei: que horas são? Ah, 14h! Que me importa?!? Depois, nem sei por quê: detesto sujeira e desordem. Dei de ombros e levantei me arrastando.

No banheiro, a pia branca estava amarela. No quarto, alguns cotões me fizeram pensar em cidades fantasma. Andei até a cozinha, onde louça suja ocupava cada espaço da cuba. Sobre a bancada, me assombraram pratos, copos, talheres e panelas limpos, aguardando ir para seus armários. Espiei a área de serviço, onde o cesto de roupa ameaçava transbordar.

Balancei a cabeça, peguei um copo de leite gelado, um pedaço de queijo, uma banana. Comi mecanicamente, olhei ao meu redor, sacudi novamente a cabeça e decidi, por fim, que era hora de voltar para a cama.

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