Deus-conosco e a essência do Natal Publicado em 26/12/2021 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano Natal, enquanto celebração sacra, é o memorial do nascimento de Jesus, Deus-conosco. Mas, a despeito do motivo da festa, não precisamos considerá-lo um tempo apenas relativo aos cristãos, embora, claro, em termos religiosos, sim, seja uma comemoração da cristandade. Digo isso, pois a Luz da Luz não é elitista como nós o somos, está isenta de preconceitos. Sua Boa-nova não tem um destino exclusivo, o é para a totalidade das pessoas. Afinal, paz, justiça, fraternidade e amor são tesouros para todas e todos de boa-vontade. A história do Homem de Nazaré nos mostra que, mesmo para seus captores ou quem o rejeita(va), seu Espírito fraterno se dá plenamente e vem ao encalço daqueles em cujos corações existe um vazio. Isso porque Deus-conosco é o desejo de ver o ser humano em sua plenitude tomando forma. Não visa às riquezas ou o poder, mas uma existência feliz e cheia de graça. Neste sentido, a mensagem independe da religião. É pura espiritualidade e solidariedade amorosa. Talvez, por esta razão, o período natalino seja sentido, também, tal qual um momento de contradição. Afinal, como é possível que, ainda hoje, não tenhamos aprendido a lição de humildade, pureza, comunhão e partilha do Menino-Deus? Como ainda vemos tantas e tantos batendo em vão às portas, como o fizeram Maria e José? Como presenciar insensíveis a fome caminhando ao lado de uma fartura que desperdiça? A sociedade de consumo fez crescer, ao longo dos tempos, um modelo de festa natalina nada religiosa. No imaginário moderno de muitos, reforçado pela mídia, não poderíamos viver sem as luzes, os presentes vistosos, as roupas bonitas, a mesa farta, a autopromoção nas redes sociais. Tais elementos parecem revestir-se de um caráter imprescindível para considerarmos o Natal uma ocasião feliz. Isso e, claro, a mítica figura de Papai Noel. Conforme disse (e escrevi) em outras ocasiões, nada tenho contra as festas. Tampouco execro a figura do bom velhinho. Apenas pontuo o descompasso das coisas. Mergulhamos de cabeça no superficial e abandonamos a essência, esta, sim, vital e profunda. Papai Noel, por exemplo, se inspira numa figura histórica verdadeira: São Nicolau. Esse bispo, nascido numa localidade onde hoje fica a Turquia, por volta do século III depois de Cristo, costumava fazer muita caridade, dando esmolas, alimentando e presenteando os pobres. Daí, por analogia, a criação do personagem icônico, atualmente abundante nas publicidades e filmes natalinos, como aquele que traz presentes e alegria. Nenhum problema em estimular as crianças a esperarem os brinquedos entregues magicamente. Isso faz parte da fantasia infantil. O Natal, contudo, é muito mais: recordação de que o Amor quis viver ao nosso lado e nos mostrar o caminho de um mundo mais justo e feliz para toda a humanidade. Esquecer isso é ignorar o essencial e permitir, mesmo sem a intenção de fazê-lo, que, em nome do dinheiro, das posses e do poder, muitos sirvam a alguns poucos e vivam, devido a essa subserviência, em condições desiguais e desumanas. Já que nos esmeramos em distribuir sorrisos e mensagens positivas nesta época do ano, sendo cristãos ou não, poderíamos procurar incorporar o verdadeiro sentido do Natal. Para quem segue as religiões cristãs, significaria acolher o Menino-Deus no irmão, com amor e sinceridade. Para os demais, sem necessidade de assumir a divindade de Jesus ou seu papel messiânico, seria entender que estamos unidos uns aos outros e com a natureza, a qual nos sustenta, e que tal união demanda cuidado. Seja como for, considero que essência natalina é sobre agir, sobre renovação e transformação, sempre num sentido de igualdade, respeito e justiça. Visualizações: 960 Compartilhe! Digicrônicas Deus-conoscoNatal
Dor das lágrimas antecipadas Publicado em 18/09/201918/09/2019 Por: Cristina Vergnano Meu respeito, carinho e solidariedade às vítimas do incêndio do Badim e suas famílias. No início da noite do dia 12 de setembro de 2019, numa pequena rua no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, próximo ao Colégio Militar, ouviram-se sirenes de ambulância. Depois, ruídos de… Compartilhe! Leia mais
Doce nostalgia e um pertencimento que fica gravado no ser Publicado em 16/11/202016/11/2020 Por: Cristina Vergnano No dia 11 de novembro de 2020, fui convidada pela atual diretora do Instituto de Letras da UERJ (ILE), Janaína Cardoso, a participar da recepção aos novos professores que, após longo tempo, foram efetivados. O evento seria no dia seguinte, todo on-line, claro, dada a pandemia. Três… Compartilhe! Leia mais
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