Série metamorfoseando o dia a dia – 2. Cotidiano: eu e tudo de novo Publicado em 18/03/202211/03/2022 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano Água de coco. Espreguiçadeira. Cheiro gostoso de verde. Frescor que abraça. O quê? Quem? Ah, maldito despertador. Roubou as férias que eu desejava tanto. Mas já tá na hora? De novo. Tudo de novo. Tudo sempre de novo. Tic-tac. O sono, o cansaço, o desejo de cama. Precisar sair da cama. Tic-tac. Maldito despertador. Levanta, corpo, levanta. Tic-tac. Banheiro. Como era mesmo o filme? Ah, All that jazz! O homem acabado diante do espelho. Eu acabada diante do espelho. A vontade de esquecimento. Tic-tac. Tic-tac. Aqui estou eu na cozinha. Tá tudo uma zona. Que vontade de sair correndo. Dane-se. Arrumo quando der. Comer algo. Tenho de comer algo, a hora tá passando. Tic-tac. Tenho hora. Não, não é isso. A hora me tem. Eu mesma não tenho nada. Tic-tac. Banheiro de novo. Espelho. Cara amassada. Escova de dentes. Roupa da yoga. Bolsa com roupa do trabalho. Eu presa naquela brincadeira sem graça dos tempos de criança: Grapete e Repete foram à feira. Grapete voltou. Quem foi que ficou? Repete. Grapete e Repete foram à feira. Grapete… Repete. Grapete e Repete foram… Repete. Grapete e Repete… RE-PE-TEEEE!!! Saio. Sempre saio, não tem jeito. Mas voltei. Esqueci a droga da máscara. Saio novamente. A yoga. Corpo são em mente nem tão sã assim. Quem não se cuida é relaxada. Repete aí: re-la-xa-da. Troca de máscara: suada não funciona. Trabalho. O trabalho enobrece. A quem? Nunca fui recebida pela Rainha Elizabeth. E olha que, a essas alturas, já devo ser nobre. Almoço. Pros diabos a forma. Yakisoba, porque eu mereço algum prazer nessa vida. Outra máscara. Haja grana pra tantas por dia. Trabalho de novo. Tic-tac. Tá acabando o dia. Só que ainda falta o mercado, as compras bem podiam chegar lá em casa sozinhas, ia ser o máximo, pra variar. E mais essa agora. Trabalho enobrecedor nem dá pra comprar um carro ou ao menos pagar um Uber, sofre, infeliz, no buzum nosso de cada dia, eu troquei a máscara, nem sei pra quê, tem tanta gente sem, azar se ficarem doentes. Eu, não, mas podia, só pra mudar alguma coisa nesse tédio. Podia mesmo? Tá doido! Cheguei. Cansada demais pra fazer qualquer coisa diferente de um banho. Como algum treco. Durmo largada na cama. A tevê ligada. Água de coco. Espreguiçadeira. Cheiro gostoso de verde. Frescor que me envolve e abraça. Visualizações: 466 Compartilhe! Narrativas breves cotidianomonólogo interiorrotina
Com jeito de medievo Publicado em 26/08/202227/08/2022 Por: Cristina Vergnano Deslocava-se às pressas pelas calçadas encardidas, já atrasado pro médico. Ali, ziguezagueou entre montes de lixo, ora agrupados, ora esparramados sem pudor pelo caminho. Lá, se desviou do fio elétrico frouxo, cheio de pombos prontos pra lançar suas bombas. Ao atravessar a rua, onde corria o trecho… Compartilhe! Leia mais
Agouro Publicado em 13/08/202113/08/2021 Por: Cristina Vergnano Todos diziam que superstição era coisa de gente antiga ou com pouco estudo. Ele, contudo, não gostava de dar mole para o azar e, naquele dia, estava incomodado. Tinha pegado a escala noturna, saindo já passada a meia-noite. “Justo numa sexta-feira treze, em agosto!” De repente, todas… Compartilhe! Leia mais
Meditação Publicado em 17/09/202617/09/2026 Por: Cristina Vergnano Chega de enrolar. É hoje ou nunca. Faz um tempo, me prometi um cuidado extra com o corpo e a mente. Que dia melhor para começar do que o início das férias? Sento no meio da varanda, entre as plantas, sobre uma almofada de yoga novinha em… Compartilhe! Leia mais