Gravura em dia de chuva Publicado em 31/03/202231/03/2022 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano A tarde está cinzenta e encharcada. Ainda não é hora do rush, mas, numa avenida central da cidade, faróis, lanternas e buzinas já se fundem, clamando por espaço. Nas calçadas, um mar de ternos e pastas se agita em ondas entrechocadas de guarda-chuvas abertos. Num primeiro plano, uma mulher de tailleur. Ela desvia, elegante, de outra que tenta equilibrar o enorme guarda-chuva com uma das mãos, enquanto sua esquerda puxa uma criança desejosa alcançar algo imaginário no sentido oposto. Adiante, à direita, a enorme boca escura e gotejante do metrô aguarda a massa ondulante que ruma para si. Abafamento, chuva, fumaça, luzes e ruído chicoteiam o avanço dos transeuntes em sua direção. E todos parecem ávidos para lhe saciar a fome. Nota da autora: Este miniconto (ou mini crônica, como até prefiro) foi inspirado numa litografia de Solange Vergnano e composto como mote para uma atividade criativa do Grupo Traçando. Também foi apresentado na Oficina de Escrita Criativa da segunda Edição do Prêmio Rio de Contos, tendo, nessa ocasião, sido desdobrado em outro texto breve, com diferente foco narrativo. Visualizações: 339 Compartilhe! Narrativas breves abafamentochuvacidadeconflito
Madrugada insone Publicado em 22/03/2024 Por: Cristina Vergnano — PAAAAI! Que horas são? Ah, uma e meia da manhã. Cedo, ainda. Eu poderia voltar a dormir, tentar dormir. E essa claridade? Difícil relaxar assim. Inferno de persiana velha e vagabunda! Também, quem mandou alugar a droga deste apartamento no Raval, numa ruela por trás das… Compartilhe! Leia mais
Despojos Publicado em 28/08/202128/08/2021 Por: Cristina Vergnano Muitos de nós já ouvimos falar na guerra de Troia, ou, ao menos, nas expressões: “cavalo de Troia” e “presente de grego”. Trata-se de um evento que hoje se sabe real, mas está muito mesclado com a mitologia. Para desenrolar o fio dos acontecimentos, segundo a literatura… Compartilhe! Leia mais
Reza e festa Publicado em 13/05/202113/05/2021 Por: Cristina Vergnano Meia noite, 13 de maio. Estrondos insistentes enchem a madrugada. Paro intrigada. Será balão? Fogos? Estarão de novo estourando um caixa eletrônico? Será outra investida a uma comunidade? Aí, ligo o dia à data: Nossa Senhora de Fátima. Talvez o ribombar venha apenas da veneração à Santa… Compartilhe! Leia mais