Passagens Publicado em 31/12/2025 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano “Curta as festas. E… até 2026!” Sentada à mesa cuidadosamente arrumada, ela sorriu ao se lembrar do cumprimento. Tinha sido repetido à exaustão para várias pessoas, em diferentes situações, nos últimos dias. A despedida parecia remeter a um território perdido num tempo distante. Só que não! Talvez menos de quarenta e oito horas a separassem do novo ano em cada encontro que motivou os votos. Agora, em sua pequena sala, ela e o marido, só os dois, celebravam a ceia de despedida do ano que findava e de boas-vindas a um ciclo iniciante. Lá fora, fogos estouravam, rompendo a noite. Ecos do show de fim de ano numa tevê com volume muito alto, de vozes emboladas, gargalhadas, músicas, num conjunto caótico, contrastavam com a trilha sonora suave, as falas sussurradas e a paz isolada do casal. Aqui e ali, uma vibração no celular denunciava a chamada de parentes para desejar felicidades. O jantar se interrompia por um instante, os dois cumprimentavam, sorriam, ouviam e contavam novidades, manifestavam seu carinho, se despediam e voltavam ao seu rito particular. Nesse ambiente, entre uma bocada e outra, na sequência de brindes e bate-papo, seu pensamento flutuava. Que sortilégio atribui tamanho valor à passagem das 23h59m do dia 31 à 0h do dia 1º? Por que um acontecimento tão corriqueiro e recorrente move de tal forma as pessoas? Desde quando essa alteração de calendário tem, em si, o poder mágico de mudar tudo, instaurando uma nova realidade, mais perfeita e gratificante? Como costuma acontecer, pensamentos são fugidios e possuem vida própria. A conversa atropelou o fluxo das ideias, levando-as para outros rumos e as demandas do momento envolveram a mulher e a mergulharam na comemoração e no convívio com seu companheiro, até chegar o sono e 2025 cair no esquecimento. Seres humanos somos marcados por rotinas e ciclos. A recorrência, aliás, faz parte da natureza: movimento dos astros, alternância das estações, tempos de gestação, nascimentos, crescimento e mortes. Às vezes, as reincidências nos entediam, como se vivêssemos aprisionados num looping. Em outras, sentimos falta da segurança vinda do familiar e previsível. Talvez isso explique a força do ritual. Nada muda, óbvio, apenas por virarmos o ano. No entanto, saber que começamos outra etapa, e, apesar das repetições, poderemos tomar decisões inovadoras, abrindo possibilidades, é algo incrível. Somos feitos de memórias, esperanças, ações, ousadias e resgates. Um novo ano não precisa (e, com certeza nem o será completamente) de um amontoado de coisas inéditas. Mas deve vir com promessas de movimento. Por isso, vale a pena desejar feliz passagem de ano, de novo e de novo e de novo. Pois sempre, na dinâmica circular da existência, teremos a oportunidade de construir e reconstruir algo fresco, bonito e cheio de significado. Meus votos de um 2026 cheio de bençãos e projetos realizados para você, leitora, leitor, e sua família! Visualizações: 60 Compartilhe! Digicrônicas ano novofelicitaçõesrituais
Fala de mulher Publicado em 08/03/202508/03/2025 Por: Cristina Vergnano Na manhã de 7 de março, bem cedo, um vereador e seus assessores apareceram na estação de trem da cidade periférica. Vinham carregados de rosas de plástico nas mãos, em caixas e sacolas. Com solicitude e um sorriso calculado, como fazem todos os anos, distribuíam às mulheres… Compartilhe! Leia mais
Espiral de dominós Publicado em 08/03/202408/03/2024 Por: Cristina Vergnano Entre a dengue do meu marido e a minha covid, tenho tido uma semana complicada, logo, sem planos de escrever. Não porque faltasse vontade ou temas a abordar, mas pelo cansaço. Hoje, contudo, Dia Internacional da Mulher, vi circularem tantas mensagens, que se tornou algo inevitável. E… Compartilhe! Leia mais
Encanto lunar Publicado em 28/08/202630/08/2026 Por: Cristina Vergnano O céu noturno sempre me apaixonou. Não sei se por eu ser uma pessoa notívaga, se pelos mistérios que oculta, as muitas lendas ligadas a ele, ou o meu gosto por ficção científica. O fato é: houve época em que cogitei ser astrônoma. Lembro-me de uma luneta… Compartilhe! Leia mais