Um (novo) ano… de novo… Publicado em 31/12/201903/01/2020 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano O tempo, para mim ao menos, é um conceito tremendamente abstrato. Às vezes, nos entediamos, pois parece que ele não passa. Em outras, sofremos esbaforidos, porque ele se esvai entre nossos dedos e não alcançamos realizar o que precisamos ou desejamos. No entanto, tenho que admitir, de fato, que temos calendário, contamos dias, meses, anos, eras… A rotação da terra em torno do próprio eixo, marca a alternância entre dia e noite. O movimento do planeta em torno do nosso sol gera as alterações nas estações. E, assim, vemos alternar-se primaveras, verões, outonos e invernos, sucessivamente; em algumas regiões de forma mais marcante, em outras, de modo quase imperceptível… Nesse sentido, pensando bem, o correr do tempo nem é tão abstrato!… E, por fim, vemos esse tempo avançando, inexoravelmente, ao olharmos nos espelhos e observarmos as mudanças em nossas próprias fisionomias. Também o percebemos nas fases das vidas dos que nos rodeiam, no eterno jogo de nascimentos, crescimentos e mortes, nas sucessões de anos escolares, de empregos, de evolução nas carreiras, nos desgastes dos objetos, no surgimento e desaparecimento de governos, políticas, modas, produtos, inovações. Talvez, esse trocar constante das realidades, sempre mutáveis, em transformação, seja o verdadeiro instrumento da medida temporal; da certeza de que o tempo existe e passa. E essa constatação nos enche de expectativa e de nostalgia. Pensamos num ontem, de modo saudoso (ou até com suspiros de alívio). Um território perdido, que só pode existir em nossas lembranças, ou no que nos tornamos pela soma das experiências vividas. Ansiamos pelo futuro, com a esperança de que dias melhores virão, planejando, sonhando, projetando, preparando-o. E, com frequência, acabamos por não viver plenamente o presente: este tempo fugidio, tão breve… Em uma mínima fração de milésimo de segundo, ainda é futuro ansiado. Imediatamente após ser alcançado, já é passado a ser lembrado: por vezes, lamentado por ter sido tão curto, por outras, aliviado porque finalmente acabou. Nessa roda-viva, chegamos ao ritual perpétuo dos festejos de passagem de ano. Na sua iconografia, um velho dá lugar a um bebê. O ano que se vai, carregado de experiências boas e ruins, está marcado pelas rugas do viver. O novo ano que se avizinha vem envolto nas promessas, fresco como um infante, sorridente e ingênuo, sem marcas ou bagagem. Nesse contexto, somos levados, quer pela convenção social, quer pelo nosso próprio estado psicológico, a desejar essa mudança, antecipando-a como favorável e positiva, em contraposição aos dissabores que queremos deixar no passado. Mas, como eu dizia a princípio, o tempo, embora abstrato na sua percepção global, é definido pela constante mutação, pelas alternâncias de fases. Não podemos, realmente, determinar um ponto preciso de corte, já que se trata de um eterno continuum. O segundo que antecede a meia noite de 31 de dezembro para 1º de janeiro é, em essência, igual (ou, por outro lado, completamente distinto) do que o segue após a zero hora. Assim também o é qualquer outro segundo antecedente ou precedente. Dificilmente a mudança existe num momento tão preciso e definido. Mas, se houver, poderá não ser percebida, ou poderá alterar radicalmente nossa existência, para todo o sempre. E é por isso, por nossa natureza finita e em transformação, que festejamos o novo ano, mesmo não sendo tão novo, mesmo não representando um corte que traz outra coisa. Desejamo-nos, mutuamente, o que pode haver de melhor. Ansiamos pela paz, harmonia, prosperidade, por uma vida isenta de problemas, dores e dificuldades. O tempo pode até ser abstrato, mas as transformações são perceptíveis. E vivemos o conflito eterno entre o medo ao novo e o desejo por ele. Não sabemos o que pode vir, mas algo sempre virá, sempre vem! E somos, queiramos ou não, um amálgama dessa diversidade e transitoriedade; das experiências agradáveis e penosas. Construímo-nos nessa realidade temporal e, concomitantemente, contínua e atemporal. Estamos entrelaçados. Nós, o planeta, o universo, seus seres infinitesimalmente minúsculos ou gigantescos somos todos parte do todo, elementos do tempo. Portanto, festejemos não o fim de um ano e o início de um novo… Comemoremos o ser parte desse continuum; o fato de que nossas ações constroem a vida e a transmutam. E que sempre vale a pena! Sendo assim, viva plenamente o ano (novo)… de novo, com tudo o que nele vier, no eterno ciclo do qual fazemos parte! Visualizações: 626 Compartilhe! Opinião
ADAPTABILIDADE Publicado em 10/02/202010/02/2020 Por: Cristina Vergnano Aviso importante: Este artigo de opinião é longo. Você pode desejar não o ler por isso. Mas, o lado bom é que pode fazê-lo em duas etapas, pois ele acaba tratando de dois aspectos que podem ser vistos separadamente, ok?!? Então, não desista! Convido você a participar… Compartilhe! Leia mais
Viva a variação! Publicado em 10/11/201909/11/2019 Por: Cristina Vergnano Junger Talvez, nunca como hoje em dia, se fale no outro, no diferente, na diversidade, no novo insistente e enfaticamente. E todos esses tópicos parecem revestir-se de grande apelo positivo. Mas, por ironia, o ser humano não costuma lidar muito bem com esses mesmos aspectos, nem com… Compartilhe! Leia mais
E por falar em “a gente era assim” Publicado em 15/04/202317/04/2023 Por: Cristina Vergnano Terminei, na quinta-feira passada, a leitura de “a gente era assim”, último livro de Luiz Antonio Aguiar, com lançamento marcado para 18 de abril de 2023, na Janela Livraria, Rio de Janeiro. Teria, sem dúvida, a concluído antes — não por ser uma publicação breve (73 páginas)… Compartilhe! Leia mais
Belas palavras!!! E como disse (alguém que não lembro bem)…” ano novo, vida nova, mas não for diferente tudo vai ser igual!” Feliz 2020! Acesse para responder
A gente vai tecendo e vendo onde as palavras nos levam, né?!? 😉 Que bom que você gostou!!! 😊 Igual ou diferente, a vida estará sempre em movimento! Um grande 2020 para você!!! Acesse para responder