Ir para o conteúdo
Tecendo o verbo
Tecendo o verbo

A palavra criativa em versão hipertextual

  • Pra começo de conversa
  • Quem sou eu
  • Seções
    • Digicrônicas
    • Opinião bit a bit
    • Hipercontos
    • Narrativas breves on-line
    • Web-papo
    • Folhetim virtual
    • Garotada Tec
    • Projeto Crianças na quarentena
  • Novidades
  • ToV Interativo
    • Outras vozes
    • Outros pensamentos
  • Grupo Traçando
    • Traçando para o mundo
    • Só entre nós
    • Documentos do Traçando
  • Políticas do ToV
    • Política de privacidade
    • Política de uso do blog
    • Política de publicação de outras autoras e autores no ToV
Tecendo o verbo
Tecendo o verbo

A palavra criativa em versão hipertextual

Siga-me

Parabéns úmidos, meu Rio!

Publicado em 01/03/202001/03/2020 Por Cristina Vergnano

Por: Cristina Vergnano

Em 1 de março de 1565, entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, Estácio de Sá fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Ou seja, hoje, nossa Cidade Maravilhosa completa 455 anos.

Estranhei a falta de comentários a respeito… É bem verdade que eu não vi televisão, nem ouvi rádio hoje. Então não poderia, de fato, queixar-me da ausência de notícias sobre a data (nem sei se alguém os fez…). Mas também não vi qualquer postagem a respeito no WhatsApp ou no Twitter. Por que seria?!?

Nossa cidade tem sido alvo de muitos problemas, de descaso e crises. Não há, suponho, muita razão para o povo comemorar… Então, se deduz daí que não haveria motivos para se lembrar deste dia. Mas o silêncio pode, simplesmente, ser efeito do feriado comemorativo que cai no dia do padroeiro: São Sebastião. Ou seja, em 20 de janeiro, e não na data da fundação. Isso costuma causar confusão. Pode ser, também, resultado de um sucateamento educacional, que gera o desconhecimento (e, por que não dizer?, desinteresse) das datas cívicas.

Aliás, o próprio adjetivo “cívico” está fora de moda. Pode ser um ressentimento pelo valor semântico carregado de aspectos ideológicos de índole ditatorial, em uso durante o regime militar (nem questiono isso). O fato, no entanto, é que o civismo não deveria ser tão malvisto. Embora o termo tenha valor polissêmico (incluídos esses de caráter ideologicamente mais negativo), está, em sua raiz, ligado a “cidadania”. Portanto, tem relação com o interesse público, os direitos do cidadão ou da cidade, o cuidado com a pátria, as pessoas e nosso espaço. Nestes últimos sentidos, somos corresponsáveis pelo que nos ocorre ao não cobrarmos das autoridades, ao não fazermos a nossa parte, ao não exigirmos nossas aspirações coletivas por um voto consciente.

Não quero, entendam bem, atirar pedras nas vítimas do descaso que impera aqui no Rio. Nada disso! Sei bem que nem sempre conseguimos realizar atos concretos em favor da coletividade. Aliás, onde faltam educação e saúde, fica difícil reagir. Apenas constato que nem sempre, tampouco, assumimos nosso papel em favor do bem comum. E isso, mesmo quando podemos fazê-lo, ainda que em pequeníssima escala.

Seja como for… hoje é aniversário do Rio de Janeiro. Ele tem problemas enormes, sim, mas também continua, numa tremenda contradição, lindo! Lindo nas pessoas que lutam, no trabalho, nas suas comunidades, nas suas famílias, por um dia a dia e um amanhã melhores. Lindo nas artes que aqui brotam, mesmo em meio às adversidades. Lindo na natureza, muitas vezes tão castigada, que, ainda assim, se renova, recupera e insiste em brilhar.

Vivemos entre o mar e a montanha. Entre o concreto e as matas. Com rios, lagoas, mar. Compartilhando o cotidiano, ricos e pobres, marginalizados ou não. Hoje, comemoramos um pouco mais de 4 séculos e meio, com muita água… Uma chuva contínua que não deixou de trazer os transtornos das águas de março, resultado da falta de manutenção urbana, mas, igualmente, da transformação desordenada que imprimimos à natureza e ao espaço que habitamos. Afinal, aterramos lagoas e pântanos, mudamos cursos de rios e contornos do litoral, cobrimos de pedra e asfalto a terra porosa que antes absorvia as torrentes, plantamos infindáveis construções de concreto e tijolos no lugar das árvores. Isso não poderia ficar impune, não é?!?

Nossa cidade nasceu da necessidade de os portugueses protegerem seu território conquistado das invasões de franceses. Primeiro teve seu marco implantado entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, como eu já disse, para depois ser transladada para o Morro do Castelo e, daí, expandir-se, alongada, espremida entre o litoral e as cadeias montanhosas, de leste a oeste. Todo mundo a conhece apenas por Rio. Tem, contudo, um nome bem mais longo e fruto, em parte, de um equívoco. O “São Sebastião”, recebeu em homenagem ao então rei de Portugal, Dom Sebastião. O “Rio de Janeiro”, por pensarem os conquistadores que a baía de Guanabara era a foz de um grande rio, ao qual chegaram em janeiro de 1502. Aí está o equívoco.

Equivocada ou não, dilapidada ou menosprezada, ocupada indiscriminadamente, não importa!… Esta é a nossa cidade. Podemos até estar decepcionados, frustrados e cansados da vida atribulada e tensa que viemos aqui… é, porém, nosso berço, “cheia de encantos mil” e contradições. E eu, em nome e outras e outros cariocas (nativos ou adotivos), que reconhecemos suas limitações, mas guardamos por você um carinho “da gema”, quero desejar-lhe (e a todos e todas nós) um feliz aniversário! Que seu presente possa ser a melhora progressiva das condições de vida que compartilhamos!

Para você, Rio, aquele abraço!!!!

Beijo do coração!!!

Visualizações: 875
Compartilhe!
Opinião

Navegação de Post

Postagem anterior
Próxima postagem

Postagens relacionadas

Dia dos Mortos: tempo para lembrar e honrar

Publicado em 02/11/2021

Por: Cristina Vergnano A morte é trânsito. Os franciscanos, a propósito, celebram o falecimento de São Francisco de Assis, a cada 3 de outubro, usando exatamente este termo. Em meio a tantas dúvidas, ela é nossa única e garantida certeza. E, talvez por isso mesmo, assuste tanto. Não podemos negá-la:…

Compartilhe!
Leia mais

Brinquedo de criança, brinquedo de adulto…

Publicado em 07/01/202007/01/2020

Por: Cristina Vergnano Em janeiro de 2019, há quase um ano atrás, viajei para São Paulo com meu marido e minha sobrinha de, então, 5 anos (quase 6). Entre as várias atividades que vivenciamos na capital paulista, esteve uma visita ao zoológico, no qual havia um espaço “jurássico” com representações…

Compartilhe!
Leia mais

Tempos de mudança: ainda a respeito da Covid-19

Publicado em 23/03/202012/06/2021

Por: Cristina Vergnano Sei que nada será como está, amanhã ou depois de amanhã Resistindo na boca da noite um gosto de sol (“Nada será como antes”, 1972; Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) Meu marido e eu estávamos conversando por esses dias a respeito das mudanças que estão vindo na…

Compartilhe!
Leia mais

Deixe um comentário Cancelar resposta

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.

Acessar o site

  • Cadastre-se
  • Acessar
  • Mapa do site

Postagens recentes

  • Rei morto, rei posto
  • Meditação
  • Encanto lunar
  • Nós em vídeo # 60
  • Ata da quinquagésima nona reunião do Grupo Traçando

Comentários

  • Cristina Vergnano em Meditação
  • Paula Piano Simoes em Meditação
  • Cristina Vergnano em A palavra tecida faz aniversário
  • Ale Ramos em A palavra tecida faz aniversário
  • Cristina Vergnano em Tempo que flui

Arquivos

Categorias

©2026 Tecendo o verbo Tema WordPress por SuperbThemes