Dia do amigo é qualquer data… em nosso coração!

Por: Cristina Vergnano

A todas e todos minhas amigas e meus amigos, que vivem no meu coração.

Amigo é coisa para se guardar/Debaixo de sete chaves/Dentro do coração

(Canção da América, de Fernando Brant e Milton Nascimento)

Preciso confessar, para meu embaraço e, talvez, um pouco de vergonha, que neste ano aconteceu como em todos os anteriores… Ao acordar, depois de ligar meu celular (não costumo deixá-lo ligado direto), fui surpreendida por várias e belas mensagens pelo dia do amigo (antes dos smartphones e redes sociais, era por telefone, carta, e-mail, mesmo!). E eu não havia lembrado que hoje, dia 20 de julho, era a data comemorativa da amizade!!!! Um sentimento tão valioso e importante em nossas vidas…

O dia foi proposto primeiro na Argentina, nos anos 1970, por Enrique Ernesto Febbraro, um professor de psicologia e filosofia e músico de Buenos Aires. A motivação, a meu ver, foi bastante inusitada (ao menos numa primeira avaliação): a chegada do homem à lua (em 20/07/1969) teria inspirado Enrique. Para ele, esse grande passo científico era, também, uma forma de pensarmos que a amizade poderia estender-se a outras partes do planeta e do universo.

A data foi oficializada pelo governo argentino em 1979. Ainda na mesma década, foi adotada no México e Peru. Por aqui, no Brasil, ganhou força nos anos 1990, embora tenhamos outras datas para esta celebração, como 18 de abril, por exemplo. Enfim… foi-se estendendo por diversos países e, hoje, quase todo o mundo a festeja.

O interessante é que há variação nas datas comemorativas do tema. Em 2011, a ONU estabeleceu o dia 30 de julho como “Dia Internacional da Amizade”, para promover os esforços de paz e conexão entre os povos. A sugestão aceita pelas Nações Unidas partiu, igualmente, de um hispano-americano, outro vizinho nosso. Desta vez foi um paraguaio, Ramón Artemio Bracho, fundador da Cruzada Mundial da Amizade, quem promoveu a iniciativa de empenhar-se pelo congraçamento entre os povos.

A profusão de datas comemorativas talvez explique minha falta anual de lembrança deste dia. Com certeza, sou pega de surpresa também em 18 de abril, ou 30 de julho. Outro motivo para meu suposto “desinteresse”, provavelmente, é o fato de que considero a amizade um valor e um sentimento atemporal, perene, que se incrusta em nós e ajuda a conformar-nos tal e qual somos. É sempre bom, claro, lembrar os amigos com um pequeno detalhe num dia especial: uma frase, um poema, uma canção, uma bela e sugestiva imagem, uma figurinha ou emoticon nas redes sociais. Mas, seja lá como for, importante mesmo é crermos que as amizades se constroem ao longo do tempo, se consolidam no cultivo e ficam gravadas nas mentes e nos corações. São bem mais do que uma festa… Porque amigos e amigas são aqueles que, não importa a distância ou a época, estão ali para nós, nem que seja em pensamento, em sentimento. Não passam as mãos sobre nossas cabeças, tanto são gentis e compreensivos, quanto sabem puxar nossas orelhas, tudo no momento certo, na dose adequada.

Como nos transmite um poema que recebi hoje, “Sou feita de retalhos”, atribuído a Cora Coralina, mas, na verdade, de Cris Pizziment, somos feitos de pedacinhos daqueles que nos tocam ao longo da vida. O bom e o não tão agradável que recebemos dos demais vão nos compondo, da mesma forma que deixamos traços de nós nos outros. Isso é muito legal, pois, como deseja a autora, um dia (quem sabe?!?), conseguiremos formar “um imenso (e belíssimo) bordado de nós”. Enquanto isso, apeguemo-nos às nossas amizades, retribuamos o seu calor. Que sejam eternas e profundas, sinceras e verdadeiras. Não precisam ser muitas (muito é coleguismo, pois amizade requer trabalho e, como eu disse, tempo), mas sempre serão imprescindíveis, como parte de nós!

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