Sobre vitrola e montanha russa Publicado em 11/02/2022 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano Minha prima veio passar a tarde comigo. Seria perfeito, se o dia não tivesse começado com briga. Escondido no quarto, ouvi a voz do pai, uns ruídos e a porta batida com força. Saí quando tudo acabou e vi o rosto triste da mãe, sem o habitual beijo de despedida. Logo, porém, me esqueci do ocorrido no meio da farra. Apesar de menina, a prima era ótima companheira. Alternamos entre desenhos, gibis, TV, autorama, queimado, bicicleta e, após o lanche, decidimos dançar. Peguei o disco mais novo, bem dançante e agitado, e corri pra vitrola. Esperava encantar a Pat com o aparelho, no entanto, nada aconteceu. — Cadê o som? O que foi que eu fiz??? O pai vai ficar uma fera! Fizemos outras coisas depois, mas o medo estragou toda a brincadeira. À noitinha, ela foi embora e eu comecei com meus enjoos: já esperava pelos gritos e, talvez, algum castigo. O pai voltou cedo. Não tinha feito serão?!? (E eu que esperava estar dormindo quando ele chegasse!) Estava sorridente. Trouxe uma caixa de mil-folhas pra mãe. Jantamos, eu pensando em como falar da vitrola. Na hora de ir pra cama, me aproximei ressabiado, torcendo pro bom humor dele não terminar rápido como tinha vindo. — Pai, sabe? Aconteceu um negócio hoje, quando eu estava com a Pat… — Você não magoou a sua prima, não é, Rodolfo? — Não, nunca! A gente curtiu bastante, até que… — Até quê? — Bem… a gente foi ouvir música e a vitrola ficou muda, muda! Desculpe. — Ah, isso? Bobagem! Ela estava com defeito. Não comentei com vocês? No fim de semana eu conserto. Deve ser a agulha. Durma com Deus, filho. No caminho pro quarto, respirei aliviado. Depois do tumulto da manhã, quem diria? Meu pai é mesmo uma montanha russa! Visualizações: 990 Compartilhe! Narrativas breves medopais e filhosvitrola
Reza e festa Publicado em 13/05/202113/05/2021 Por: Cristina Vergnano Meia noite, 13 de maio. Estrondos insistentes enchem a madrugada. Paro intrigada. Será balão? Fogos? Estarão de novo estourando um caixa eletrônico? Será outra investida a uma comunidade? Aí, ligo o dia à data: Nossa Senhora de Fátima. Talvez o ribombar venha apenas da veneração à Santa… Compartilhe! Leia mais
Homicídio culposo Publicado em 30/04/202130/04/2021 Por: Cristina Vergnano Os gêmeos distavam tanto em crenças, quanto se igualavam em aspecto. Um se permitia excessos. O outro gabava-se de sua comida saudável. Um dia, aquele teve um sobressalto. O irmão havia sido encontrado morto em casa! Abatido, quis detalhes. Causa mortis: falência cardíaca; envenenado por glifosato. Visualizações:… Compartilhe! Leia mais
Espontaneidade Publicado em 27/05/202127/05/2021 Por: Cristina Vergnano Rui se orgulhava de ser racional: tudo decidia com lógica e reflexão. Um dia, viu uma moto passando no vermelho e atropelando um molecote. Não pensou: sentiu. Correndo pela calçada, pulou amarelinha nas lajotas. Assobiou um samba antigo. Tomou sorvete e um chopp. Roubou a rosa dum… Compartilhe! Leia mais