Série metamorfoseando o dia a dia – 1. Cotidiano


Por: Cristina Vergnano

Acordou sobressaltada em meio a um sonho bom. Confusa e cansada, deu-se conta do despertador. Esticou o braço para golpeá-lo com fúria. Gesto inútil, pois esse continuou tocando, alimentando seu mau humor. Insistia, aliás, sempre, até que ela se levantasse e entrasse no jogo. Karma cotidiano: quilos de coisas das quais se livrar. Mesmo as atividades prazerosas assumiam, naquele contexto, uma feição negativa. Onde se teria perdido? Quando a vida teria virado aquela opressiva rotina? Sentava-se, sem querer, na beirada da cama, procurando paralisar o tempo. Um a um, então, seus passos a conduziam ao banheiro, de lá à cozinha, de lá novamente ao banheiro, de lá ao vestíbulo. What a funcking life, xingava. Yoga, trabalho, yakisoba, trabalho, mercado, condução cheia, casa, tudo regado a trocas e trocas de máscara: alguém devia estar de zoação.


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