Gravura em dia de chuva Publicado em 31/03/202231/03/2022 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano A tarde está cinzenta e encharcada. Ainda não é hora do rush, mas, numa avenida central da cidade, faróis, lanternas e buzinas já se fundem, clamando por espaço. Nas calçadas, um mar de ternos e pastas se agita em ondas entrechocadas de guarda-chuvas abertos. Num primeiro plano, uma mulher de tailleur. Ela desvia, elegante, de outra que tenta equilibrar o enorme guarda-chuva com uma das mãos, enquanto sua esquerda puxa uma criança desejosa alcançar algo imaginário no sentido oposto. Adiante, à direita, a enorme boca escura e gotejante do metrô aguarda a massa ondulante que ruma para si. Abafamento, chuva, fumaça, luzes e ruído chicoteiam o avanço dos transeuntes em sua direção. E todos parecem ávidos para lhe saciar a fome. Nota da autora: Este miniconto (ou mini crônica, como até prefiro) foi inspirado numa litografia de Solange Vergnano e composto como mote para uma atividade criativa do Grupo Traçando. Também foi apresentado na Oficina de Escrita Criativa da segunda Edição do Prêmio Rio de Contos, tendo, nessa ocasião, sido desdobrado em outro texto breve, com diferente foco narrativo. Visualizações: 328 Compartilhe! Narrativas breves abafamentochuvacidadeconflito
Sobre vitrola e montanha russa Publicado em 11/02/2022 Por: Cristina Vergnano Minha prima veio passar a tarde comigo. Seria perfeito, se o dia não tivesse começado com briga. Escondido no quarto, ouvi a voz do pai, uns ruídos e a porta batida com força. Saí quando tudo acabou e vi o rosto triste da mãe, sem o habitual… Compartilhe! Leia mais
Série metamorfoseando o dia a dia – 3. Cotidiano: mesmice e yakisoba Publicado em 25/03/202211/03/2022 Por: Cristina Vergnano — Vamo logo, mulhé! Tô roxa de fome. — Já vou. Tá nervosinha hoje, né? — A gente vai só pro almoço. Depois volta pro trabalho. Adianta se arrumá toda? — Vai sabê, miga. E se aparece um gato? A gente tem que tá preparada pra tudo…. Compartilhe! Leia mais
Atualidade envolta em brumas Publicado em 18/06/202118/06/2021 Por: Cristina Vergnano Desligou a tevê com um suspiro. Jogou para o lado, na cama onde estava prostrado, o celular, aberto ainda na página da última rede social consultada. Perdeu seu olhar no teto branco acinzentado, impreciso como ele. Depois de mais de um ano isolado por decisão própria em… Compartilhe! Leia mais