Gente que escreve: uma homenagem às escritoras e aos escritores pelo seu dia Publicado em 29/07/202229/07/2022 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano 25 de julho, entre outras datas comemorativas, é o Dia do Escritor. Sempre me questiono sobre o valor dessas celebrações. Em parte, devido a reconhecer nelas um subjacente, ou mesmo explícito, interesse comercial (embora, cá entre nós, ache essa motivação fraca no caso dos escritores). Mas também por sentir que os homenageados deveriam merecer consideração permanente e não só num dia específico. O curioso é constatar, apesar das críticas, meu quase irresistível impulso de “participar das festas”. Na maioria das vezes, acabo parabenizando os envolvidos e, não raro, escrevo algo sobre a ocasião. Desta vez aconteceu tal qual, até porque, me incluo na comunidade em foco. Assim, comecei enviando um pequeno cumprimento em grupos de aplicativos de mensagens instantâneas. Depois, me pareceu mais coerente sentar e escrever algo compatível com a data e com meu engajamento na produção literária. Tive uma ideia, trabalhei o texto e o postei no perfil do Tecendo o verbo numa rede social. Ia colocá-lo aqui no blog, porém, acabei me distraindo com outros afazeres e deixando a data passar. (Faço-o mais abaixo.) Umas quarenta e oito horas depois, lembrei-me do fato e do texto. Valeria a pena postá-lo com atraso? Por que não, refleti. Afinal, se defendo que todos os dias são indicados para comemorar as pessoas, seu estar no mundo e suas atividades, então, é pertinente deslocar e estender o evento. Torna-se, ademais, uma oportunidade para salientar o caráter interativo da escrita, conforme bem o lembra Ingedore Koch. Além disso, posso enfatizá-la enquanto meio de comunicar, de expressar o pensamento e os sentimentos, de tocar as sensibilidades, de criar, de transformar. Por fim, é importante vê-la como um trabalho que requer empenho, estudo e prática regular, excedendo a simples inspiração ou vocação, e como uma contraparte da leitura. Ambas, escrita e leitura, são processos interativos, complexos, demandantes e intimamente relacionados. Não se pode, por exemplo, conceber um escritor que não seja um leitor de diferentes gêneros textuais, em especial, dos literários. Afora o fato de que, ao escrever, o autor se lê, antes de qualquer outra pessoa, e pressupõe um leitor para seu texto. Quem realiza o processo de ler uma obra, por sua vez, atualiza o texto a cada leitura, num movimento de coautoria, construindo sentidos, em muitos casos, inovadores. Concluo, aqui, diante do meu computador, escrevendo, lendo, relendo e reescrevendo esta crônica, que as datas comemorativas têm, portanto, seu propósito. E este extrapola a visão comercial ou de marketing. Ao trazer a categoria de escritor(a) ao cenário de comemorações, abrimos espaço para a reflexão sobre seu fazer, seu papel social e artístico. Isso é, na minha opinião, um importante aspecto, passível de contribuir para aperfeiçoar nossa relação com a própria escrita e a leitura. Então, que venham as festividades! Visualizações: 357 Compartilhe! Digicrônicas Dia do Escritorescrita como interaçãogente que escreveleitura
Porque somos parte de alguém Publicado em 12/05/202408/05/2024 Por: Cristina Vergnano Ninguém é ex-mãe. Ninguém jamais será ex-filha, ou ex-filho. Por mais conflituosa que seja a relação, teremos sempre um útero para chamar de nosso lugar de origem. Enquanto formos seres humanos e a humanidade existir (e se perpetuar) tal como é e foi, esta será uma verdade…. Compartilhe! Leia mais
Carnaval… sem idade nem tempo… Publicado em 25/02/202025/02/2020 Por: Cristina Vergnano Eram 14 horas do sábado de carnaval. Na esquina de uma rua movimentada do bairro da Tijuca, pessoas se aglomeravam, animadas, com ou sem fantasias, esperando o momento de o bloco começar a movimentar-se pela região. Só para aquecer, a percussão começou a tocar e os puxadores… Compartilhe! Leia mais
Dia de pelada Publicado em 20/05/202320/05/2023 Por: Cristina Vergnano Virei a esquina arrastando o carrinho de compras, entrei na minha rua e segui pelo asfalto. Depois de dois anos de reclusão pela pandemia, estranhei o peso. Olhei ressabiada para o volume meio disforme: os calombos dos produtos moldando o material sintético, o beiço do saco arreganhado,… Compartilhe! Leia mais