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Dia de Reis: Sabedoria da trajetória

Publicado em 06/01/202606/01/2026 Por Cristina Vergnano


Por: Cristina Vergnano

“Não sou rainha, nem maga, mas vim trazendo presentes!” Assim cumprimentei minha tia ao visitá-la hoje, Dia de Reis, levando-lhe as lembrancinhas natalinas. Ela é uma lúcida senhora de noventa e um anos, que me presenteia a cada visita com verdadeiras crônicas de memória, resgatando pessoas e fatos do mosaico familiar. É o receptáculo de várias histórias, das quais, por participação ou herança, faço parte.

Já é um pouco tarde para presentes de Natal? Tal visão pode ser apenas o reflexo de uma cultura impregnada pela figura de Papai Noel. Há, na Europa, um leque variado de práticas ligadas à ocasião. Na Igreja Ortodoxa, por exemplo, se celebra o nascimento de Jesus em 6 de janeiro. Na Itália, uma tradição antiga fala de uma senhora que se negou a ajudar os Magos, os quais estariam perdidos, e, arrependida, decidiu levar presentes ao Menino. Ao não o encontrar, porém, distribuiu doces pelo caminho. Então, esta é uma época quando as crianças aguardam a vinda da Bruxa Befana (nome derivado do grego “epifania”, ou seja, aparição, manifestação), que dá doces àquelas cujo comportamento ao longo do ano foi bom. Na Espanha, é dia de reunião das famílias, entrega de presentes e desfiles das Cavalhadas dos Reis Magos, rememorando sua ida para adorar e presentear o recém-nascido em Belém. Também Portugal celebra a data com festejos: canto das Janeiras, troca de prendas, degustação do Bolo-Rei.

Esses países têm em comum a base cristã católica. No calendário litúrgico da Igreja Católica Apostólica Romana, em 6 de janeiro se encerra o Tempo do Natal, dia da epifania do Senhor, ou seja, da manifestação do Salvador a todos os povos da Terra. Podemos entender, portanto, a existência de tantas comemorações, posto serem esses personagens símbolo da universalidade salvífica pregada pelo credo cristão.

A tradição nos fala de três sábios vindos do oriente. No entanto, não sabemos de fato se era assim, ou se houve mais deles. Em 1985, um filme estrelado por Martin Sheen e dirigido por Michael Ray Rhodes, “O quarto sábio”, nos conta a história de um desses estudiosos, Artaban, que chegou atrasado ao encontro com os demais peregrinos e passou sua vida em busca do messias. O interessante na trama, ao meu ver, (e não direi mais para evitar spoiler) está justamente na busca e em seus desdobramentos. Daí, nasce a verdadeira sabedoria e a demonstração de amor.

Prolongar os festejos natalinos, pois, não seria se atrasar. A trajetória ensina mais do que o momento, na vivência da proposta de equidade, singeleza, respeito e amor. Percorrer esse caminho pode unir povos e classes, transpor barreiras, gerar força, perseverança e levar à transformação, como ocorreu com o tal quarto sábio.

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