Sabor de infância Publicado em 05/03/2022 Por Cristina Vergnano Por: Marcelo Pimentel A princípio pensei estar sonhando. Imaginava nem existir mais, ter sido retirado para sempre do mercado. Mas lá estava ele – o Mandiopã – relançado na mesma embalagem (agora já com ar indiscutivelmente vintage) e bem ao meu alcance na prateleira de uma antiga mercearia do subúrbio. Comprei logo seis caixas e fui pra casa assim que pude, ansioso por reviver aquela sensação crocante guardada na lembrança, por sentir talvez um sabor adormecido de infância. Diante da frigideira, constatei que o produto ainda era o mesmo. O óleo quente fez as unidades inflarem, transformando os pequenos pedaços duros como plástico em salgadinhos tenros e, ao mesmo tempo, tostados. Fiz da experiência revivida um ritual, com direito a paninho forrando a mesa de centro. Longe de me decepcionar, a prova me levou de volta aos lanches vespertinos entre os colegas de rua, reunidos no meu quintal. Lá pelas quatro da tarde a brincadeira era interrompida pela minha mãe ou pela Zezé. Todos esquecíamos as oposições de nossos personagens bonecos ou as rivalidades das peladas de rua. Unidos em torno da larga bandeja de plástico, dividíamos o Mandiopã e a jarra de suco ou groselha. Talvez eles tenham esquecido dessas tardes já distantes. Minhas recordações, ao contrário, vão se tornando mais e mais vívidas, como se eu pudesse voltar no tempo e realmente estivesse naquele quintal dos anos setenta. Ao meu redor, vejo cada detalhe do quintal reconstituído pela lembrança. Coisas de sabores e memórias – penso, antes de olhar, atônito, para minhas próprias mãos, agora do tamanho das de uma criança. Visualizações: 775 Compartilhe! Traçando entre nós contos gastronômicos
Mini conto gerado pela atividade de Música (27/10/2021) Publicado em 28/10/202128/10/2021 Havia um jovem príncipe em um reino muito distante. Cercado por segurança e conforto, o príncipe vivia só. Aguardava o dia de seu casamento, o trono e a honra do pai. Apesar do destino certo e dos acordos assinados, o Príncipe, a cada noite de sexta-feira, espreitava-se através dos muros… Compartilhe! Leia mais
Jantar ou provação? Publicado em 11/03/2022 Por: Ale Ramos Entrei na casa pela porta da sala. Logo de cara, seu pai sentado no sofá me olhou de cima a baixo como se eu não fosse nada, o desdém estampado em seu olhar me paralisou momentaneamente. Para minha surpresa, levantou-se e me cumprimentou com uma saudação calorosa… Compartilhe! Leia mais
Eu só queria o purê Publicado em 11/03/2022 Por: Ale Ramos Respiro fundo e me pergunto “onde foi que eu errei?”. De novo. Toda hora do jantar é essa confusão. Ou não. Ou deixo que assistam em seus eletrônicos e parecemos estranhos zumbis mastigadores de vento, ou peço que sentem à mesa sem os aparelhos para começarem instantaneamente… Compartilhe! Leia mais