Um encontro Publicado em 07/11/202107/11/2021 Por JakM Das muitas recordações de infância que tenho, há uma muito especial e se passou numa pequena cidade, no interior do estado do Rio de Janeiro. Lá, onde viviam dois amigos, viúvos e aposentados, que todo final de tarde se encontravam para conversar, rir um pouquinho e assim tentar espantar a tristeza e a solidão. Cada dia, um ia à casa do outro. Embora não morassem tão distantes, a idade avançada tornava a caminhada um pouco cansativa. Mas a amizade deles era tão especial que valia a pena o esforço. Seu encontro os enchia de ânimo. Era quase um ritual afinal, eles mantinham esse costume há décadas. Já estavam bem velhinhos e quase sempre, começavam um assunto e nunca conseguiam terminar, pois nenhum dos dois sabia mais sobre o que estavam falando. Era bem engraçado! Embora pequena, me lembro bem daqueles momentos e, hoje, percebo que eram momentos em que eles mergulhavam numa profunda reflexão. Eles eram da década de 20…1920 e frente a tantas mudanças no mundo, a cada dia se mostravam mais espantados com os avanços da modernidade. Eles sentavam na varanda e geralmente a conversa começava assim: – é amigo, esse mundo tá mudado! E o outro respondia: – é verdade, é verdade…amigo. E assim permaneciam por um bom tempo até que o visitante se levantava e dizia: – vou indo, compadre, esse mundo tá mudado e tenho medo de andar por essas ruas à noite! O outro respondia: – é verdade, é verdade, amigo! Deus te acompanhe e amanhã, se o Bom Deus permitir vou lá pra gente prosear um pouquinho. E assim mais um dia se findava e eles se recolhiam fortalecidos com mais um encontro de uma amizade de tantos anos. Uma mistura de benquerença com resiliência que trarei pra sempre em meu coração. Jakeline de Melo. (Texto criado a partir do encontro da música com as pinturas em nosso último encontro – 27/10/2021). Visualizações: 915 Compartilhe! Traçando entre nós
Bolo da vida Publicado em 07/11/202107/11/2021 Ingredientes: 01 pitada de tristeza; 02 colheres de sopa de paz ½ xícara de reflexão; 10 gotas de ânimo; ½ colher de chá de medo Em um refratário largo, junte a pitada de tristeza com meia xícara de reflexão e deixe descansar por algum tempo. Aos poucos, acrescente lentamente as… Compartilhe! Leia mais
No recreio Publicado em 05/03/2022 Por: Rodrigo R. Mansor — Tá faltando cinquenta centavos aqui… Os risinhos que ouvi por trás de mim, mesmo que não fossem sobre mim, me deixaram constrangido. Não olhei de quem eram, para não me sentir ainda pior. Queria fugir dali depressa: vermelho como um pimentão, devolvi o lanche e… Compartilhe! Leia mais
Eu só queria o purê Publicado em 11/03/2022 Por: Ale Ramos Respiro fundo e me pergunto “onde foi que eu errei?”. De novo. Toda hora do jantar é essa confusão. Ou não. Ou deixo que assistam em seus eletrônicos e parecemos estranhos zumbis mastigadores de vento, ou peço que sentem à mesa sem os aparelhos para começarem instantaneamente… Compartilhe! Leia mais
Oi, Jake. Seu texto tem algo de crônica de memórias, um toque saudosista, mas doce. A figura dos dois amigos nos traz ao mesmo tempo a fragilidade da vida, com a perda de certas capacidades (dificuldade de locomoção, esquecimentos, estranhamento com o novo), e a força da amizade, do contato frequente: “benquerença com resiliência”. A presença da narradora testemunha, em terceira pessoa, contribui para esse tom de memórias. Ao ser testemunha, não conhece tudo, não nos entrega detalhes ocultos, como o faria se fosse um narrador onisciente. Mostra-nos a cena pelo buraco da fechadura: um fragmento de percepção, com toque emotivo. Sugiro somente uma revisão na colocação (ou na falta) de algumas vírgulas, ok?! Parabéns! Bjs. Acesse para responder