Feliz dia das crianças!!!!

Para as crianças de todas as idades que levamos para sempre dentro de nós.

Por: Cristina Vergnano

“-Bento que bento é o frade.
- Frade!
- Na boca do forno…
-Forno!
- Cozinhando um bolo…
- Bolo!
-Tudo o que seu mestre mandar…
- Faremos todos!”

Parlendas, adivinhações, contação de histórias, brincadeiras de roda, jogos de salão e de rua, pipas, bolas, bicicletas, bonecas, corda de pular, amarelinha, bonecas de papel, carrinhos de lata, bolas de gude, petecas, piões… Tudo isso fez, com suas variações e predileções, durante décadas, séculos (quem sabe?), parte da vida infantil. Colocava-nos em contato com a natureza e uns com os outros. Nos fazia aprender a lidar com os enfrentamentos, a dividir, a compartilhar, a lutar pelo que era nosso, a se aborrecer e deixar para lá. Ativava a imaginação e a musculatura.

Na atualidade, grande parte desses folguedos e jogos de palavras se perderam. São pedaços de um passado que parece muito arcaico e gozado para as novas gerações. Às vezes, são ensinados de novo em certas escolas, quase como parte de um folclore. E acabam agradando, levando a um redescobrimento dessa liberdade gostosa, da auto-organização da diversão.

Porque era isso mesmo! A criançada costumava se organizar para brincar e criar brincadeiras. Não me lembro de festas que precisassem de um animador para serem um sucesso. A gente simplesmente propunha jogos e negociava (nem sempre sem certo conflito) o que seria a “bola da vez”.

Vivemos, agora, um tempo mais individualista. Há perigos à espreita que levam os pais e responsáveis a preferir seus filhos sob suas vistas, em escolas, dentro de casa, em atividades mil, numa agenda enlouquecida desde a mais tenra idade. Também os shoppings são uma opção confortável. Têm de tudo o que se possa desejar: a comodidade do estacionamento, a praça de alimentação, as lojas para comprar coisas, os parquinhos e centros de diversão, os cinemas. Tudo num pacote só, encerrado em caixas de concreto, aço e vidro, sem a visão do passar do tempo no mundo exterior (na maioria das vezes).

Também está a sedução encantadora dos eletrônicos. Celulares, tablets, videogames. Nada contra, de fato… Acho que há espaço para tudo. Afinal, quando eu era criança, a televisão era a vítima da demonização. E, temos que admitir, tinha lá seus pontos positivos e não me impediu (embora eu fosse bastante apreciadora) de pular corda na calçada, ouvir disquinhos de história, ler gibis e livrinhos, andar de bicicleta na rua, brincar com areia e baldinho na pracinha…

O problema está no exagero. Sempre no exagero!!!! Quando os gadgets viram apêndices de nosso corpo, celulares como continuação de nossos dedos, tablets como extensões de nossos olhos e ouvidos… e quando isso nos limita o pensamento, a criticidade, a capacidade de vencer o tédio por outros meios… Aí mora o perigo!

Hoje, comemoramos o dia da criança. Isso significa festejar a frescura e a inocência da vida. A capacidade de ver beleza nas coisas mais simples. De maravilhar-se com cada detalhe como diante de uma grande novidade. De (re)aprender a sentir-se feliz com o singelo, o inusitado, com os produtos de nossa imaginação. De abrir-se ao sonho, à fantasia saudável, de deixar as tensões acomodadas em alguma gaveta, ao menos por um tempo.

Talvez tenhamos que, enquanto adultos, redescobrir esses caminhos. E, enquanto crianças, deixar de ser tão adultos, de ter tanta pressa para crescer. Afinal, cada etapa da vida tem sua magia. Mas, como somos frutos de toda a nossa história, sempre guardaremos um pedaço.

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