Recomeçamos a caminhada rumo à luz Publicado em 02/04/202102/04/2021 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano No último 28 de março, com o Domingo de Ramos, abrimos a Semana Santa e reiniciamos nossa caminhada anual rumo à Páscoa de Cristo. Ao longo das várias cerimônias que marcam este tempo litúrgico na igreja católica apostólica romana, somos convidados a seguir os caminhos tomados por Jesus em seus últimos dias de vida na terra. Nelas, Deus, que se fez humano para estar conosco, ruma em direção ao martírio, para redimir a mesma humanidade que irá entregá-lo à morte. E nós somos chamados a rememorar esses acontecimentos, não com olhos de historiadores ou espectadores, mas como partícipes de um plano de amor, em busca da transformação interior de cada um e cada uma. No sermão de um frei capuchinho na missa de Ramos, ouvi-o dizer que a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, sob os gritos de “Hosana” e “Bendito o que vem em nome do Senhor”, foi um acontecimento complexo. Longe de representar o entendimento claro da dimensão salvadora divina daquele Rei, o povo aclamava um suposto libertador humano, que lutaria contra a opressão romana e restauraria Israel. Só a paixão, o calvário e a ressurreição dariam a muitos a percepção exata (ou aproximada) do que estava diante deles, do que lhes era oferecido e pedido. Em contraste com a recepção calorosa e festiva de Ramos, o peso da prisão, dos interrogatórios, da tortura e da morte brutal a que submeteram o Rei dos Judeus representou a suprema violência. Isso o foi não só em termos de ataque à pessoa de Jesus, mas pelo que significou como assassinato simbólico de todos e todas cuja dignidade Ele havia resgatado, com sua atenção, cuidado, carinho, compreensão e respeito. A sua condenação e morte também estavam marcadas pelo ataque do próprio povo, manipulado pelas elites dirigentes, o qual, enganado, em grande parte virou-Lhe as costas, num ato que podemos considerar, no mínimo, ingrato. Essa gente, no entanto, não sabia o que fazia e o próprio Deus não a condenou. Ao reviver esses fatos, históricos e teológicos, atualizamos uma mensagem que quer estar viva e presente, transformando e trazendo a paz e a justiça a toda a gente. Quando Jesus fala sobre o juízo final, descreve o Rei que separa as pessoas, na sua vinda gloriosa, como um pastor separa ovelhas dos cabritos (Mateus 25, 31-46), segundo suas ações ao longo da vida. Alerta-nos que todas as vezes que [fazemos] isso [qualquer boa ou má ação] a um dos menores de [seus] irmãos, [é] a [Ele] que o [fazemos]. Então, ao longo dos séculos, desses mais de 2000 anos da era cristã, o recordatório da Paixão nos quer despertar para as paixões cotidianas: todos os atos violentos, desumanos e de desamor praticados contra nossos semelhantes. É o Cristo voltando a ser espancado, torturado, humilhado e morto em cada pessoa que passa fome, adoece, é agredida, desrespeitada, sofre preconceito e discriminação por ações de outros seres humanos (individual, social ou institucionalmente). A Páscoa é passagem. Passagem que se quer mudança, transformação, transfiguração. Mudança que propõe o surgimento do homem e da mulher novos. Essa novidade, contudo, não é algo fácil de se alcançar, pois somos eminentemente fracos. Nossa debilidade animal nos leva a querer para nós todas as garantias. E, onde há escasso ou nenhum recurso, como já diz o ditado: “farinha pouca, meu pirão primeiro”! Nem só nessas condições, porém, posto que igualmente dão as costas ao amor aqueles que tudo têm e mais ainda querem. Assim, seguimos cedendo às fraquezas, esquecendo que somos seres complexos, mais do que instintivos, com capacidade de refletir, ponderar, controlar nossos desejos e impulsos, pensar no outro, voltar atrás e recomeçar quando caímos. A cada ato violento, nos aproximamos mais de uma barbárie egoísta e autocentrada, afastando-nos do ideal de um mundo igualitário, solidário, amoroso. Jesus é a nossa Páscoa. A festa, porém, só tem seu sentido pleno no conjunto do Tríduo Pascal: Quinta, Sexta e Sábado santos. Isso porque, primeiro, dEle recebemos o grande presente da comunhão, o pão vivo descido do céu que nos acompanha e fortalece, e a lição de que para amar é preciso servir. Depois, com Ele padecemos e morremos, para, finalmente, ganharmos vida nova, na sua ressurreição. Trata-se de uma passagem, sim, mas que é caminho e direção. Não está pronto, porque precisa de nossa adesão. A vida nova é compromisso de amor. Amor que escuta, que acolhe, que compreende, perdoa e se doa, a fim de que todos e todas possam gozar do supremo Bem e viver na plenitude da luz. Visualizações: 552 Compartilhe! Digicrônicas PáscoaTRíduo Pascal
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Sinestesia Publicado em 28/01/202328/01/2023 Por: Cristina Vergnano Temos em casa um espaço pequeno externo, não muito iluminado ou ventilado, pois fica no prisma de ventilação entre os dois blocos do prédio, separado do apartamento vizinho por um muro de uns dois metros. Como moro no térreo e de fundos, na maior parte do tempo,… Compartilhe! Leia mais
Porque somos parte de alguém Publicado em 12/05/202408/05/2024 Por: Cristina Vergnano Ninguém é ex-mãe. Ninguém jamais será ex-filha, ou ex-filho. Por mais conflituosa que seja a relação, teremos sempre um útero para chamar de nosso lugar de origem. Enquanto formos seres humanos e a humanidade existir (e se perpetuar) tal como é e foi, esta será uma verdade…. Compartilhe! Leia mais