O pescador e a Mãe-d’água Publicado em 23/07/202123/07/2021 Por Cristina Vergnano Reconto folclórico Por: Cristina Vergnano Homem triste pescando na beira da praia com caniço. Essa história aconteceu faz muitos anos, lá para os lados do litoral do nordeste. Existia por ali, naquela época, um pescador que estava vivendo uma terrível maré de azar, não pescava nada. Certa noite, depois de muito tentar, cansado, com o estômago roncando forte e a pele arrepiada do frio, ouviu alguém cantando. A música foi-se aproximando e, de repente, uma belíssima jovem saiu das águas, apoiando-se num banco de areia. O pescador maravilhado não se conteve e a chamou. – Ouça aqui, dona moça! O que faz perdida nessas águas? Você é gente ou assombração? Precisa de alguma ajuda? – Nem gente, nem assombração, seu moço! Sou a Mãe-d’água. – Mãe-d’água? – Você tem mais é coragem, visse?! Mesmo achando que eu poderia ser assombração, falou comigo e foi gentil, oferecendo-me ajuda. Por isso, vou conceder-lhe um desejo. O que quer? Ele, então, lhe disse: – Pois, veja, só olhar pra tanta belezura e ouvir o seu canto já me deixaria feliz, mas confesso que tenho uma precisão. Faz meses não pesco nada e a fome está e mantando. – Então, você deseja uma boa pesca. É isso? Pois, lance a rede! O rapaz seguiu a ordem da moça e logo pescou tanto peixe que quase arrebentou sua velha rede. Antes de ir embora, ela ainda acrescentou: – Venha aqui toda noite de mudança de lua e continuará com uma pescaria farta. Então, a cada sete dias, o pescador repetia a empreitada e era bem-sucedido. A Mãe-d’água, porém, não apareceu novamente, deixando-o cheio de melancolia, como se tivesse um vazio no peito. Mãe-d’água sentada num banco de areia. Uns meses mais tarde, numa noite de lua cheia, o canto voltou e a bela Mãe-d’água surgiu no mesmo banco de areia. O pescador largou o trabalho, atirou-se ao mar e foi encontrá-la. Lá chegando, apressou-se em agradecer os favores e confessar a enorme saudade que sentia. – O que mais deseja de mim? Gostaria, por acaso, de se casar comigo? – A jovem perguntou. – Sim, sim! Não consigo tirar você da minha cabeça desde aquela noite, ele respondeu rapidamente sem nem pestanejar. Ela, então, concordou em ir para a terra e viver com o moço, mas lhe deu um aviso: – Se quiser que eu continue ao seu lado, precisa prometer jamais renegar a mim ou aos meus parentes do mar. – Juro pelo mais sagrado! – Ele respondeu. No início, a vida foi só felicidade. A mulher era tão linda e o rapaz, tão próspero, que toda a vila se admirava. Mas o jovem foi mudando seus modos com o tempo. Ainda gostava da companheira, estava, contudo, seduzido pelas facilidades de viver com alguém que atendia a todos os seus desejos. Nunca estava satisfeito e sempre queria mais. A Mãe-d’água, por sua vez, passou a sofrer, lamentando o descaso do marido e sentindo saudade da vida livre no mar aberto. Por isso, todos os meses, nas sete noites da lua cheia, ficava à janela cantarolando baixinho, entre lágrimas. Essa atitude irritou o pescador que passou a resmungar e a ficar por longas horas fora de casa. Quando retornava, bem tarde, era sempre rude, exigindo comida e um monte de outras regalias. Por fim, certa madrugada de lua especialmente brilhante, não aguentou mais os suspiros e gritou: – Maldição, mulher! Que desgraceira, você e a sua raça de peixes! Com essa mania de choramingar, você me deixa louco. Vão pros diabos todos vocês! Não precisou mais nada. A Mãe-d’água, ferida com tanta ingratidão, levantou os braços e chamou para si as águas do mar. Ondas enormes vieram a fim de levá-la de volta para casa, carregando consigo todos os presentes que havia dado ao ingrato. E o pescador? Bem… esse, ao ver a aproximação do mar enraivecido, fugiu para um monte próximo, ao abrigo das águas. Dizem que nunca mais conseguiu pescar nada que prestasse, nem teve companheira tão bela e dedicada. Visualizações: 820 Compartilhe! Infantil conto popularconto tradicionalMãe-d'águapescador
Que tal uma espiadinha no livro interativo “A Gotinha”?!? Publicado em 18/08/202018/08/2020 Por: Cristina Vergnano Oi, pessoal! Sei que pode parecer frustrante chegar no post “A Gotinha chegou , como eu tinha prometido!!!”(31/10/2019) e esbarrar com a exigência de ser assinante e ter que fazer login para acessar o texto completo. Mesmo quando vocês acessam, têm que baixar um programa! Eu sei…… Compartilhe! Leia mais
A Mãe-de-ouro e o caso do menino de Minas Publicado em 24/10/202024/10/2020 Por: Cristina Vergnano Para minhas sobrinhas e sobrinhos, minhas priminhas e priminhos e para cada um de nós que conserva uma criança no coração! Numa cidadezinha bem pequena e esquecida, no interior de Minas Gerais, há muito, muito tempo atrás, vivia um menino bem pobre, o Juca. Ele era uma… Compartilhe! Leia mais
Olhe de novo, pois tem mudança aqui! “A gotinha chegou, como eu tinha prometido!!!!” Publicado em 31/10/201904/07/2022 Alô, garotada! Faz um tempo, eu tinha postado aqui que, para fechar o mês da criança de 2019, eu trazia para vocês meu presente especial: a história interativa de “A gotinha”. Agora, em 2022, fizemos uns arranjos e passou a ser possível interagir com o texto sem precisar baixar nenhum… Compartilhe! Leia mais