Ausência Publicado em 02/12/202202/12/2022 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano Despertei inquieta. Parei por um momento, sentada na borda da cama, tentando achar o motivo. Minha memória parecia estar falhando. Algo me incomodava – quem sabe, o sonho da noite anterior –, mas nem todo o meu esforço pôde dar consistência ao que me sufocava. Comecei a pensar: a lembrança perdida poderia ser um episódio traumático e, neste caso, melhor deixá-la ali, no passado. Ainda assim, era impossível ignorar. Algo crescia em minhas entranhas, uma certa nostalgia, um não sei quê pedindo choro e recolhimento. De que sentia tanta saudade? Que vazio precisava ser preenchido, trazendo essa mágoa com um misto de sentimentos antagônicos? O que me pesava no peito a ponto de experimentar remorso, como se devesse ter agido diferente em relação a um acontecimento ou a uma pessoa, embora não soubesse quem, nem como ou por quê. Qual o motivo de tudo isso justo agora? Levantei-me, tropecei aqui e acolá, embriagada por um mal difuso. Na cozinha, o cheio do café e uma melodia triste no celular começaram a dar forma àquela angústia. A evocação, por fim, materializou o objeto daquela lacuna. Olhando a imagem, refletida no vidro da janela, da mulher de cabelos brancos, sulcada pela vida, quase pude tocar o rosto jovem, sorridente e querido, cochichando ao meu ouvido. Seria nosso aniversário. Fazia já vinte anos… As lágrimas, então, rolaram até umedecer a face e pingar sobre a bancada da pia, devolvendo-me a recordação e refrescando minha dor. Visualizações: 17.418 Compartilhe! Narrativas breves Amorausênciaperdasaudadesolidão
Perspectivas Publicado em 08/10/202108/10/2021 Por: Cristina Vergnano Karine tinha passado a manhã ansiosa para mostrar à sua melhor amiga algo no celular. No pátio do recreio, puxou-a e disse: – Ouve que legal o meu irmão gravou de madrugada. – O quê? Barraco? Gemidos apaixonados? – Não, Lara. Que mania de fofoca! Escuta. –… Compartilhe! Leia mais
A Odisseia, Parte III: “A vingança de Odisseu” Publicado em 12/11/202112/11/2021 Canto XXIII e ½, apócrifo: Sentença de Penélope Por: Cristina Vergnano A partir de A Odisseia, de Homero Ao receber a notícia do regresso do senhor de Ítaca, Penélope não pôde crê-lo, tantos foram os anos passados, tais o sofrimento e a desventura. Decerto, pensaria, algum deus a haveria livrado… Compartilhe! Leia mais
À procura Publicado em 07/01/202207/01/2022 Por: Cristina Vergnano Para Osvaldo, em busca de sua veia poética. Enquanto eu seguia pela estrada, rememorava os múltiplos trajetos percorridos. Muita dor, muito conflito, muito sofrimento me atravancaram a jornada. Nunca havia, contudo, estado só. Minha musa me acompanhou, animando-me, mostrando as flores e frutos que eu podia cultivar… Compartilhe! Leia mais