Por falar em docentes… Publicado em 15/10/202415/10/2024 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano Há muitos anos, não me lembro bem onde ou de quem, ouvi que, na Grécia Antiga, os pedagogos eram escravos encarregados da instrução dos filhos de seus senhores. Na internet, se consegue confirmar a informação. Chego a achar o fato uma ironia cruel, quando penso na atual desvalorização da carreira docente, manifestada nos baixos salários a que tantos estão submetidos, nas condições difíceis de trabalho e no parco investimento em educação no nosso país. Educar custa caro. Em sociedades baseadas no capital e na busca pelo lucro rápido, abundante e o mais fácil possível, considera-se que o investimento no campo educacional requer muito dinheiro e seu retorno demora a se manifestar. E, quando ocorre, não se caracteriza por ganhos diretos para quem investiu. É preciso ter grande contingente de professores para atender à quantidade de estudantes, se não se defende um ensino massificado. Isso, várias vezes, se usa como justificativa para pagar menos do que recebem outros profissionais com igual nível de especialização. Um aspecto que constitui um mito e reforça, também, essa suposta falta de necessidade de salários mais competitivos é a associação entre magistério e sacerdócio. Nada mais injusto. Não só se trata de uma profissão, com demanda de sólida e contínua formação, como é a base sobre a qual se apoiam as demais carreiras. Afinal, quaisquer profissionais passam pelos bancos escolares para obterem sua capacitação. Ser uma atividade trabalhista intimamente ligada às relações humanas, cujo processo pode tanto instruir, incentivar e inspirar, quanto bloquear ou limitar os potenciais dos alunos, pode ser a chave para essa leitura equivocada e romântica. Acrescente-se o perfil majoritariamente feminino, em especial do Ensino Fundamental I, e o cenário para a redução salarial está completo. Com uma supervalorização das carreiras glamorosas ou altamente rentáveis, vêm o menosprezo pelo magistério, a procura menor pelas licenciaturas ou cursos de pedagogia e os chavões preconceituosos. “Quem sabe faz, quem não sabe ensina”. “Profissão de esperar marido”. “Como uma pessoa tão inteligente vai ser professora?!” No entanto, há aqueles para os quais o magistério ainda representa ascensão social e os que desejam viver essa experiência de formar, sentir-se construindo algo junto com outras pessoas. Além disso, encontramos, aqui e ali, demonstrações de reconhecimento, seja por alunos que se sentem acolhidos e estimulados, seja por pais, ou por gestores. A valorização de indivíduos acaba refletindo-se na carreira. E ao envolver, como disse, um relacionamento humano muito próximo, se transforma em carinho, recordações calorosas, admiração por aquelas e aqueles que contribuíram para nossas trajetórias particulares. Não é uma profissão fácil. Pergunto-me se alguma realmente o será. Ainda assim, para aquelas e aqueles que decidimos segui-la, em meio a tantos tropeços, carências e desrespeitos, o valor dessa troca humana se entranha em nós. Com empenho e “sorte”, conseguimos chegar ao patamar de aprender enquanto ensinamos. Tocamos vidas e deixamos que elas nos toquem. No final, mesmo em pequenas doses, somos capazes de vislumbrar mudanças, transformações que, esperamos, nos conduzam a construir uma sociedade melhor. Visualizações: 180 Compartilhe! Digicrônicas desafiosDia do Professorganhosprofissão
Tudo depende do ponto de vista Publicado em 10/06/2022 Por: Cristina Vergnano O dia começou como um daqueles em que levantar era complicado. Dormi bem, não foi este o motivo. Apenas acordei com certa preguiça e um desejo de lentidão. Isso não chegava a ser algo problemático, afinal, desde a aposentadoria, tinha conquistado o direito a respeitar meu ritmo…. Compartilhe! Leia mais
Reminiscências 2: Quão doce é o doce de batata-doce (roxa)? Publicado em 17/11/202117/11/2021 Por: Cristina Vergnano Há uns dois meses, encontrei batata roxa no Hortifruti. Primeiro, pensei que seria apenas uma batata-doce qualquer com a casca dessa cor. Como uma delas, no entanto, estava partida ao meio, constatei meu engano. De fato, era da autêntica! Não pensei duas vezes: comprei logo um punhado,… Compartilhe! Leia mais
Quando a nossa criatividade rompe barreiras e vence crises Publicado em 07/04/202004/04/2020 Por: Cristina Vergnano Para minha mãe, minhas tias e meu tio… e todos os bravos idosos que sonham seus sonhos durante esta pandemia. Há alguns anos, ela vivia sozinha em sua casa, num bairro da zona norte da cidade. Isso foi logo depois da morte de seu marido. Os filhos… Compartilhe! Leia mais
Fico feliz com sua leitura da crônica e, principalmente, por seu carinho. Você se formou uma professora dedicada e sensível que merece parabéns. Me alegro por fazer parte da sua trajetória. Bjs. Acesse para responder