Série Reflexões na Semana Santa: Reinicia mais uma caminhada de fé

Por: Cristina Vergnano

Como todos os anos, uma vez mais, terminada a Quaresma (período de 40 dias, após o Carnaval, no qual a igreja católica faz a preparação para sua celebração maior: a Páscoa de Jesus), abriu-se a Semana Santa com as festividades do Domingo de Ramos. Não se trata apenas da liturgia do memorial da entrada triunfal (e, ao mesmo tempo, singela) de Jesus em Jerusalém, poucos dias antes de sua condenação e morte. É, também, quando se rememora a Paixão de Cristo, com várias leituras bíblicas que percorrem desde profecias do Antigo Testamento até leituras do Novo (carta e Evangelho). A tônica é colocar em reflexão esses dois momentos contraditórios e antagônicos: a euforia pela chegada do Rei à cidade santa e sua quase imediata prisão injusta e morte brutal. Não tanto se acentua a morte, mas a vida nova que o sacrifício voluntário de Jesus representa para a humanidade. A redenção, a orientação para um caminho de conciliação, perdão, fraternidade e a esperança na vitória sobre a morte.

Mas, neste ano de 2020, o igual está diferente. As igrejas, que no domingo de Ramos se abrem para as procissões alegres e festivas, seguidas da cerimônia circunspecta que envolve a leitura da prisão, paixão e morte do Cristo, desta vez estiveram fechadas. A Covid-19 restringiu a circulação e a convivência das pessoas. Portanto, a vivência da Semana Santa deste ano se revestirá de outro aspecto, mais silencioso, mais intimista… não menos espiritual e religioso, contudo.

Estamos na era digital! E essas tecnologias abriram portas com as que, faz bem pouco tempo, nem sonharíamos em cruzar. Isolados em nossas casas, estivemos irmanados em oração, conectados por meio das televisões católicas e de suas transmissões também via internet. Como bem lembraram os padres, estávamos todos juntos, espiritualmente unidos, congregados em torno das mesmas orações, cânticos, ritos. E, para todos aqueles que creem (ou desejam ardentemente crer), de fato Jesus está ali, em cada casa, em cada pensamento, em cada pedido, em cada oração, em cada coração. Afinal, onde dois ou mais estiverem reunidos em seu nome, ali Ele estará (Mateus 18, 20).

Realmente, não será uma celebração como as que conhecemos e estamos acostumados, embora os ritos sejam os mesmos. A virtualidade tomará a condução dos eventos. Tudo se fará desde longe. Não sentiremos o calor e a proximidade física da família, dos amigos, dos conhecidos, dos irmãos na fé…

Ainda assim, esse recolhimento talvez seja benfazejo. A mensagem permanece: Deus é amor! Um amor tão perfeito, puro e profundo, que se dá integralmente. Mas, muito mais do que se dar, ensina que, para alcançar a plenitude da vida, temos que o seguir e repetir, nós todos! Ou seja, a única forma de conseguir um mundo e uma humanidade felizes (com a verdadeira e duradoura felicidade), em paz, é percebermos que somos parte desse todo (independentemente da religião que se professe ou não). Isso significa saber e agir como corresponsáveis, entendendo que só sendo solidários e igualitários transformaremos a morte e o sofrimento em vida… e vida plena para todos e todas!

Que venha esta Semana Santa diferente. Que seja mais do que feriado, festa e chocolate (embora não haja problemas com essas coisas, desde que não se transformem em ídolos). Que nos ajude a ver o que de fato é importante e vale a pena. E que isso valha para todas as pessoas, igualmente.

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