Estado de graça Publicado em 07/08/202607/08/2026 Por Cristina Vergnano Por: Cristina Vergnano Tinha decidido não escrever nada pelo 3 de agosto, por ser um dia especial só para mim, mas não resisti. Afinal, sempre considerei meu aniversário um evento digno de muita comemoração. Uma colega escritora me alertou para o fato de, a cada festejo, eu ganhar um ano extra. Seguindo o gracejo, respondi que tudo bem, pois, assim, eu chegaria mais fácil aos 100. Enfim, limitei-me a escrever, sem publicar na data exata. Passados uns dias, compartilho minhas reflexões. A despeito do que fazem parecer as redes sociais, todos temos bons e maus momentos ao longo da vida. Não existe cenário perfeito, tampouco apenas desgraças. Olhando em retrospectiva, consigo encarar os problemas do passado como parte de um aprendizado e considerar positivo o saldo de minha existência. Por isso, me sinto, a cada aniversário, renovada, pronta para celebrar, mesmo constatando meu envelhecimento, as desagradáveis dores articulares, as antiestéticas rugas, ou o incômodo aumento de peso. Quando Gonzaguinha, na música O que é o que é, afirmou ser a vida bonita, captou um sentimento que pode não estar à flor da pele, mas existe: nós dificilmente desejamos morrer. Mesmo em face às dificuldades, tentamos dar a volta por cima e curtir os episódios agradáveis. Imagino o horror que deve habitar o coração e a mente daqueles cujo desespero os leva a desistir e procurar a morte. Há, sem dúvida, situações extremas a motivá-lo. Por outro lado, em alguns contextos, poderá ser tido como ato de misericórdia. Impossível generalizar. O importante, me parece, é tentar compreender, ajudar e se solidarizar com o outro. Em um dos livros de Tolkien, o Silmarillion, creio, se fala da longevidade dos numenorianos. Eram humanos habitantes da Ilha de Númenor, a meio caminho da terra imortal dos Valar (poderes angélicos do universo tolkieniano). Dada sua natureza superior, viviam séculos. Quando, com cerca de quatrocentos anos, percebiam seu cansaço, se entregavam e morriam naturalmente, indo habitar com Ilúvatar (Deus). Ao longo das eras, porém, começaram a ambicionar mais: poder, riquezas e, claro, a eternidade, como os elfos possuíam. Tal comportamento os degradou e provocou, entre outras consequências, a diminuição de seu tempo no mundo. Acho interessante termos alcançado conhecimentos, recursos e procedimentos capazes de prolongar a vida com qualidade. Lamento, contudo, não serem conquistas universais. O fato de se limitarem a uma parcela da população torna a vantagem injusta, submetendo muitos à penúria, como peões dispensáveis a serviço de poucos. Esse modo de ver as coisas nos aproxima dos numenorianos decadentes e mancha a beleza de nossa presença na Terra. O estado de graça que nos leva a comemorar e agradecer o grande presente da vida precisa ser compartilhado. Sorrisos, palavras amigas, aconchegos, atos de criação, o caminhar sob a brisa num dia de sol, o cheiro de terra molhada sob a chuva, o brilho das estrelas à noite, pequenas coisas que fazem diferença e não têm preço, embora custem quase nada. Visualizações: 22 Compartilhe! Digicrônicas aniversáriocomemoraçãovida
Tudo depende do ponto de vista Publicado em 10/06/2022 Por: Cristina Vergnano O dia começou como um daqueles em que levantar era complicado. Dormi bem, não foi este o motivo. Apenas acordei com certa preguiça e um desejo de lentidão. Isso não chegava a ser algo problemático, afinal, desde a aposentadoria, tinha conquistado o direito a respeitar meu ritmo…. Compartilhe! Leia mais
Um pouco de luz em você Publicado em 05/05/202105/05/2021 Por: Cristina Vergnano Hoje, acordei com alguns planos. Quer dizer, pra ser sincera, despertei de forma meio brusca, após um sono cheio de sonhos estranhos, envolvendo máscaras, álcool, viagem ao exterior, parentes, personagens de séries de televisão, enfim, uma grande salada. O despertar foi, assim, trôpego e confuso. Mas os… Compartilhe! Leia mais
Trambique: uma prática antiga com novas roupagens tecnológicas Publicado em 12/06/202112/06/2021 Série histórias do cotidiano: crônica 1 Por: Cristina Vergnano Haja paciência! Se não bastasse tudo o que temos tido de aguentar com o pesar por tantas mortes, violência e as crises políticas, econômicas e sanitárias, agravadas pela pandemia, ainda é preciso aprender a driblar os trambiqueiros. Há toda uma classe… Compartilhe! Leia mais