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A palavra criativa em versão hipertextual

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No caminho do canavial

Publicado em 13/10/202113/10/2021 Por Cristina Vergnano

Por: Cristina Vergnano


Para a criança que existe em cada um de nós!


A tarde caía e ia escurecendo rapidamente. Nico e Zeca voltavam da plantação de cana do sítio onde moravam. Caminhavam rindo, brincando, atirando palhas e pedrinhas um no outro e no matagal ao redor.

De repente, Zeca avistou uma luz dourada no céu, já quase todo escuro. Na hora, deu pouca importância. Achou que seria alguma estrela cadente. Se ele fosse a sua prima Ciça, com certeza teria feito algum pedido.

Seguiram pela estrada de barro despreocupados, escutando os sons do mato e seus bichos. Aconteceu, porém, de a luz voltar. Desta vez, veio acompanhada de um ruído estranho e agudo. Zeca chamou logo o irmão, apontando para o alto.

– Olha lá, Nico! Uma luz gozada dançando no céu. E que barulho mais esquisito ela faz.

– Corre, Zeca, corre! Aí vem um disco voador. Vai pegar a gente e levar pra longe.

Os dois saíram na disparada. Toda a calma foi embora. Tropeçavam em pedras, raízes, buracos e até nos próprios pés. Por sorte, sua casa estava perto. Chegaram entrando aos trambolhões. A mãe, que preparava o jantar, olhou para eles espantada.

Cena do contato desenhada no caderno de Zeca.

– O que é isso, garotos? Viram assombração, foi?

Quando recuperou um pouco do fôlego, Nico gritou:

– Corre, mãe, corre! A gente viu um disco voador!

– É verdade! Desses grandes, que levam as pessoas embora pra morar em outro mundo com os ETs! – Completou o Zeca.

– Onde já se viu? Disco voador não existe! Acho que vocês dois apanharam foi muito sol no lombo. Vão já lavar as mãos. A comida não demora a sair. – Disse a mãe.

Resignados e ainda tremendo um pouco, abaixaram as cabeças e foram para o banheiro. No caminho, resmungando, Zeca falou para o Nico:

– Ah, mas a gente viu. Viu, sim! Eu tenho certeza!

– … Ou será que não viu?



Eu naquela época…

O amor pelas letras começou cedo…

O texto original deste pequeno conto foi escrito em 1974, quando eu tinha uns 12 ou 13 anos, para uma atividade escolar da sexta série (atual sétimo ano). Seu título, então, era: “Acontecimento fora do normal”. Esta versão está revisada e atualizada, conservando, contudo, o argumento e os elementos chave da história criada na década de 1970. A ilustração foi feita especialmente para esta postagem. Minha homenagem ao Dia das Crianças!


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